164 anos. Como está Ipirá? Aniversário não tem festividades. Páscoa não tem peixes

Ipirá, 164 anos, sem festividades

Ipirá (BA) comemora mais um aniversário, sem festividades. O município de Ipirá (foto), localizado no centro-norte baiano, completou neste sábado (20) seus 164 anos de emancipação política. A data, deve ser vista como a mais importante para o município, pois, aniversários são marcos de existência, simbolicamente o dia mais importante para a localidade federativa.

Outrora, em seus aniversários, a cidade tinha festas populares, micaretas, etc. Tradicionalmente, Ipirá sempre comemorava a sua data maior, coisa que não tem acontecido nesta gestão municipal. Nesta Gestão, para esta grande data, o Poder Público Municipal não anunciou nenhuma programação de festejos para marcar a passagem histórica. Em seu dia maior, a cidade está triste.

Além de ruim para o civismo e a autoestima do ipiraense, a falta de festividades, certamente ocasiona perdas para lojistas, hotéis, supermercados, etc, que de outra forma teriam melhores resultados financeiros com a comemoração festiva.

No momento, no aniversário de Ipirá, depois de mais de dois anos da atual gestão, é propício para perguntar: você tem orgulho da beleza de sua cidade? Atualmente existe alguma coisa realmente bonita nela? Uma única praça bonita, bem cuidada?

Depois de mais de dois anos da atual gestão, como está Ipirá? Qual a principal obra deste governo? Nessa perspectiva, veja abaixo, alguns textos, que traduzem a gestão ‘Orgulho de viver aqui’ . Os textos comprometem e mostram a cara da atual Gestão Municipal.
Prefeito Marcelo Brandão ( Foto Google)
Atual gestor, Marcelo Brandão, no Conexão Chapada, baixava a ‘marreta’
O município, no momento é conduzido por um gestor, cujo salário como prefeito, pago pelo povo de Ipirá, é maior que o do Governador do Estado.

O atual gestor, Marcelo Brandão, advogado, outrora radialista, durante doze anos, em seu ofício de comunicador, em seu programa ‘Conexão Chapada’, que acontecia, todos os dias da semana (segunda a sexta), baixava a ‘marreta’ nos seus adversários políticos.

O radialista era severo, criticava sem compaixão, nada escapava as suas críticas. Marcelo dizia constantemente, em alto e bom som, que não sabia o que os prefeitos de Ipirá, seus opositores, faziam com a dinheiro do município, verba esta que gira em torno de R$ 10.000.000,00 (Dez Milhões) mensais.

Durante doze anos, o radialista, com tantas críticas e tantas promessas, criou fortes expectativas nos ipiraenses, que acabaram ‘pagando para ver’, assim, o elegendo, como o atual prefeito.

Atualmente, o município vem passando por uma crise sem precedentes, onde empresas estão ‘fazendo as malas’ e batendo em retirada. Recentemente um grande supermercado, no centro da cidade, fechou as portas. O mais recente a ir embora foi a Farmácia Pague Menos, que no último dia 08/04 fechou também as suas portas.

Na Sexta-Feira Santa (19), a prefeitura não distribuiu o peixe da semana Santa
Ipirá, sexta-feira santa, pobres sem peixes
Na Sexta-Feira Santa (19), a população carente de Ipirá acordou triste e decepcionada com a administração municipal.

Em outras gestões, em outras pascoas, a população carente do município, nesta data, acostumava receber peixe, a exemplo da tradição que ocorre no mundo inteiro, onde o poder público beneficia pessoas carentes, neste dia maior para a cristandade.

Casa dos Estudantes de Ipirá (AEIPI), localizada em Salvador, na Rua Futuro do Tororó – (Foto: Reprodução/ TV Bahia
Casa dos Estudantes desabando. Ipirá sem eventos culturais 

Em termos de eventos culturais e urbanismo Ipirá vive um atraso sem precedentes na sua história. Até agora o governo não patrocinou um único evento cultural na cidade.

Ao completar 164 anos o que temos é uma cidade onde as ruas estão feias, malcuidadas, governada sem prioridades. Onde uma Casa de Estudantes de quase meio século de existência (48 anos), importante na formação de ipiraenses de menos recursos financeiros, encontra-se fechada, desmoronando.

Gastos com Publicidades

Já está comprovado que o problema não é falta de dinheiro, o problema é que o governo gasta sem prioridades. Um exemplo: até agora a gestão municipal não gastou um centavo em cultura, mas no ano de 2018 a Prefeitura de Ipirá gastou R$ 343 mil com publicidade.

Tô de Volta, Micareta de Ipirá, 2017
‘Tô de volta’, Micareta do aniversário da cidade em 2017, não voltou em 2018 e nem em 2019.

Em 2017, primeiro ano da gestão atual, no aniversário da cidade, usando o bordão ‘Tô de volta’, foi realizado uma grande micareta. Em 2018, e agora 2019, a micareta ‘Tô de volta’, não voltou.

Nestes dois anos não voltou a prometida micareta, nem festividade alguma. Para muitos, a não realização da festa, mesmo modesta, é um prejuízo para o comércio local e um grande ponto negativo para a atual gestão, que chegou ao governo incentivando e prometendo a realização de festas pujantes, sempre primando por grandes micaretas no município.

Agendamento de consultas e exames | FOTO: Reprodução Jornal da Chapada
Saúde

A atual administração, em termos de saúde, tem sido de um descalabro, sem precedentes, onde as unidades medicas do município chegam a faltar o básico, do básico, faltando deste um simples comprimido para dor, a materiais básicos para curativos. Segundo os vereadores, chegando até mesmo a faltar papel higiênico em suas unidades médicas.

Ruas sempre com aspectos sujos e malcuidadas
Urbanismo

Atualmente em termos de urbanismo a cidade encontra-se em uma linha descendente, em queda vertiginosa.

A cidade, que tem o privilégio de possuir grandes praças, atualmente conta com suas ruas sempre com aspectos sujos e malcuidadas. Além de suas ruas estarem sempre sujas, as suas praças principais estão em estado lastimáveis.

Praça Roberto Cintra

Praça de referência da cidade, primeira rua quando do surgimento do Camisão, conhecida por muitos, ainda pelo seu nome de origem como Praça da Bandeira, atualmente tem o nome de Praça Roberto Cintra.

A praça Roberto Cintra, que já foi cartão postal da cidade, parece mais um pasto, as vezes encontra-se cavalos comendo o pouco que resta de suas vegetações.

Praça São José
Praça São José

A praça São José, primeira obra da administração atual (Marcelo Brandão), foi cercada em março de 2017 e continua cercada até hoje (abril de 2019). A praça (que era considerada histórica), encontra-se já a mais de dois anos interditada.

A reforma da praça, contempla uma obra em que é o povo quem paga, mas o cidadão não sabe o custo desta citada obra, nem quando ela será concluída. Resultando em um projeto que em nenhum momento foi apresentado a comunidade, onde jamais alguém foi consultado se esta obra era realmente um investimento prioritário para o município. Vale lembrar que nesta praça em reforma (São José) concentra-se os principais empreendimentos do grupo político do prefeito (Jacu), na cidade, destacando-se Clínicas Médicas, Laboratórios, Colégio, etc

As placas de madeira, que entornam a obra já estão estragadas pela ação do tempo. Moradores e comerciantes do local encontram-se revoltados.

Praça José Leão dos Santos 

Outra Praça histórica, a José Leão dos Santos, encontra-se interditada, sem os habitantes terem certeza do que vão receber. Com obras iniciadas em 07/01/2019, apesar de tratar-se da principal praça comercial da cidade, não se sabe com clareza quais são as obras públicas de “REQUALIFICAÇÃO TOTAL DO MERCADO DE ARTES E PRAÇA JOSÉ LEÃO DOS SANTOS”, citadas claramente, na placa da obra ou “EXECUÇÃO DE OBRAS PÚBLICAS, DE REFORMA, REQUALIFICAÇÃO E REVITALIZAÇÃO”, que consta na licitação. A imprensa e o povo não sabem quais são estas obras.

Ambulâncias

As famosas ambulâncias do SAMU, tão citadas no programa, pelo ex radialista, hoje prefeito, estão escondidas da vista do povo.

Segundo o vereador Weima, as duas ambulâncias encontram-se ‘escondidas da vista do povo’ em local, onde a prefeitura paga o aluguel de R$ 2.600,00 (dois mil e seiscentos) mensais para que as ambulâncias fiquem lá, estacionadas (guardadas).

“Além das ambulâncias não servirem ao município, o povo de Ipirá, através do seu prefeito, ainda paga R$ 2.600,00 mensais (R$ 31.200,00 – trinta e um mil e duzentos reais anuais), para que fiquem guardadas”, disse Weima.

Mercado de Artes

O mercado está fechado e abandonado. A atual gestão municipal jamais fez um recadastramento das pessoas envolvidas, jamais marcou uma reunião com as pessoas prejudicadas para saber de suas necessidades, dores e desejo de soluções. Os ex-lojistas se acham abandonados pelo prefeito Marcelo Brandão.

Agentes da Controladoria Geral da União (CGU) recolhe documentos na Prefeitura de Ipirá
Policia Federal interdita Prefeitura de Ipirá e cumpre mandado de prisão preventiva 

Na terça-feira (21/08/2018) a Polícia Federal, com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU), interditou a Prefeitura para recolhimento de documentos, pelos Órgãos Federais. Além da prefeitura, localizada, no Centro Administrativo Municipal, a Coordenadoria da Educação do município também foi vistoriada por uma equipe de Federais.

O objetivo da visita foi cumprir operação visando desarticular um esquema criminoso de fraude a licitações, superfaturamento, desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos envolvendo a contratação do serviço de transporte escolar nos municípios de Alagoinhas, Casa Nova, Conde, Ipirá, Jequié e Pilão Arcado, todos na Bahia.

A PF cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de afastamento do cargo de prefeito, estes últimos nos municípios de Pilão Arcado e Ipirá.

São João de Ipirá na Administração Diomário Sá
Queda na produção de festas 

Outro setor que tem acompanhado o declínio de Ipirá, é o setor de festas. O município possui uma excelente localização, próximo a cidades interligadas por excelentes estradas, a exemplo de Salvador, Feira de Santana, Itaberaba, Baixa Grande, Pintadas e tantas outras localidades, favorecendo a produção de festas, tanto em quantidade, quanto por qualidade de atrações apresentadas.

O declínio é grande, acontecendo tanto nas festas patrocinadas pelo município, quanto nas festas produzidas por particulares. Ipirá já recebeu grandes artistas de destaque nacional. Dentre eles podemos citar Zezé Di Camargo e Luciano; Paula Fernandes; The Fevers; Edson Gomes, dentre tantos outros. Dos nomes citados, nota-se claramente que Ipirá regrediu na produção e na apresentação de grandes artistas, perdendo nitidamente para os anos anteriores.

O Povo ‘já jogou a toalha’

Estas açoes e obras citadas, são algumas, dentre tantas outras, a exemplo de ruas esburacadas, estradas vicinais destruídas, precariedade da assistência médica na área rural, etc. As obras apontadas pelo Ipirá Negócios faziam parte do cotidiano de críticas do prefeito quando radialista do programa Conexão Chapada, que usava o bordão ‘Se não fosse o Conexão o povo não sabia não’.

Para aqueles que acham que apontamos muitas deficiências do governo atual, em termos de proporção é pouco, comparado com o que o ex-radialista, hoje prefeito, propagava, todos os dias, as criticas aos governos anteriores, nas ondas do rádio, que possui grande penetração na zona rural do município.

Finalizando, a impressão que fica é que o povo já cansou, ‘já jogou a toalha’, achando que não tem mais jeito, e que não adianta mostrar mais erros, a coisa está muito clara.

“Agora é esperar as próximas eleições para dar o troco a tantas promessas e tantas expectativas criadas”, disse um vereador, asseverando que assim deve pensar o povo.

Ipirá, História

Ipirá desmembrou-se de Feira de Santana e foi automaticamente criada pela Resolução Provincial n° 520, de 20 de Abril de 1855. Pelo Decreto citado, passou a chamar-se Ipirá, nome de origem indígena, que significa Ipi (rio) e Rá (peixe) – rio do peixe.

O município já foi denominado “Povoado do Camisão”, “Freguesia de Sant’Ana do Camisão”, “Vila de Sant’Ana do Camisão” pelo fato de seu fundador ter sido descendente do Coronel Camisão.

e atualmente é conhecido pelos produtos em couro, sediando diversas fabricas que atendem o mercado brasileiro, fornecendo carteiras, cintos e bolsas. Sua população atualmente é de aproximadamente 62.000 habitantes.

O município destacou-se no passado pela bacia leiteira, onde chegou a ter uma produção de cem mil litros/dia, e contava com empresas multinacionais na linha de comercialização. Hoje, as fabricas foram embora, fecharam, e talvez atualmente o município não produza três mil litros/dia. 

Por Orlando Santiago Mascarenhas
www.ipiranegocios.com.br