segunda-feira, janeiro 12, 2026

Governo Lula acusado de intimidar ONG Transparência Internacional

A ONG denuncia que passou a ser perseguida ao criticar falta de transparência no PAC

Em comunicado internacional divulgado na sexta-feira, 9/1, a respeitada ONG Transparência Internacional denunciou estar sendo vítima de perseguição do governo Lula (PT) – Democracia Comunista ou Relativa – desde que divulgou estudo apontando falta de transparência no “Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, que inclusive fracassou.

A entidade afirma que auxiliares de Lula tentam deslegitimar e intimidar a entidade por meio de declarações “infundadas e motivadas por interesses políticos”, após a Casa Civil chefiada por Rui Costa, coordenador do PAC, afirmar que a Transparência Internacional estaria sendo investigada pela Polícia Federal.

A alegação de investigação policial não tem qualquer base documental, diz a ONG, afirmando que não há registros públicos de tal investigação, e a Transparência Internacional Brasil “não foi formalmente notificada nem recebeu qualquer documentação oficial”.

No comunicado, o presidente da Transparência Internacional, François Valérian, disse que a entidade está firmemente ao lado de sua filial brasileira e cobrou o fim do que chamou de intimidação por parte do governo.

Organizações da sociedade civil devem poder desempenhar seu papel democrático vital de análise independente e expressão de opiniões críticas sem medo de retaliação, assédio ou criminalização”, afirmou. “Pedimos ao governo brasileiro que cesse o assédio contra nossos colegas”.

Histórico de ataques

A Transparência Internacional afirma que os episódios fazem parte de um padrão de ataques e tentativas de deslegitimação contra sua filial no Brasil. A Transparência Internacional Brasil vem sofrendo, nos últimos anos, “assédio jurídico sustentado” baseado em acusações falsas sobre a atuação, o financiamento e os vínculos institucionais.

Segundo a Transparência Internacional, em outubro de 2025, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que a entidade teria recebido ou administrado recursos provenientes de acordos de leniência no Brasil. A ONG diz que esse tipo de acusação vem sendo reiterado pelo magistrado desde 2019. Após a retomada das declarações, a organização divulgou, em novembro, um comunicado internacional no qual denunciou uma campanha de desinformação e intimidação contra sua filial brasileira.

Todas as alegações foram categoricamente e repetidamente refutadas – não apenas pela Transparência Internacional em declarações públicas, mas também oficialmente pelas autoridades brasileiras, incluindo membros do Ministério Público Federal, o Procurador-Geral e, mais recentemente, o Tribunal de Contas da União”, dizia o comunicado de outubro de 2025.

A Transparência Internacional também levou os episódios à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que, segundo carta enviada pela ONG ao governo brasileiro, reconheceu o quadro como um caso grave de criminalização de uma organização da sociedade civil.

Fonte: Diário do Poder / Folha de SP / O Globo

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