Após a entrada em vigor do novo valor da tarifa do transporte público de Feira de Santana, no último dia 17 de janeiro, aumentaram as reclamações da população sobre a qualidade do serviço. A enquete realizada pelo portal Acorda Cidade, entre os dias 15 e 18 de janeiro, apontou a estrutura precária como a principal queixa dos usuários, liderando a consulta com 28% dos votos.
Diante das reclamações, a Empresa de Ônibus Rosa informou, por meio de nota, que a queda no número de passageiros e as dificuldades financeiras do sistema impactam diretamente a capacidade de investimento.
A concessionária afirma que, desde o início da operação, a demanda não garantiu o “pleno equilíbrio econômico-financeiro do contrato” e que há uma redução média anual de 7% a 8% no número de usuários, fenômeno observado em todo o país. Ainda assim, a empresa garante que mantém suas atividades de forma regular. (Leia a nota na íntegra ao final da matéria).
Os dados apresentados pela Rosa dialogam com informações da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob). Em entrevista ao Acorda Cidade, o secretário interino da pasta, Rodolfo Suzarte, explicou que atualmente o sistema transporta, em média, 976 mil passageiros pagantes por mês, número bem inferior ao registrado no início do contrato. A média total é de 1.512.682 passageiros utilizando o serviço.

“Em 2016, quando iniciamos o contrato com a Rosa e a São João, nós tínhamos 272 ônibus de frota patrimonial na cidade. Na época, transportávamos uma média de 26.918.000 passageiros ano. Se você dividir por 12, dá uma média de passageiros pagantes por mês de 2.243.000. É uma quantidade realmente considerável de perda de receita ao longo dos anos.”
Segundo Suzarte, a redução de usuários ocorreu ao longo da última década e foi agravada por fatores como a pandemia, a partir de 2020.
Frota reduzida e queda de passageiros
O secretário informou que, além da redução de passageiros, houve diminuição na frota em operação. “No início do contrato, lá em 2016, nós tínhamos 272 ônibus na frota patrimonial. Hoje em dia, nós temos de frota patrimonial 171 ônibus em operação.”
Ele explicou ainda que os veículos em circulação são de anos variados, incluindo modelos de 2015, 2017 e 2018, além de outros mais novos e mais antigos. De acordo com Suzarte, a prefeitura elabora um planejamento de renovação da frota, que deverá ser apresentado nos próximos meses.

Sobre os custos do sistema, o secretário afirmou que a tarifa paga pelo usuário não cobre o valor real da operação. “Hoje a tarifa no valor técnico está em R$ 11,46. A tarifa social, desde o dia 17 de janeiro, ela passou a ser de R$ 5,40. Então essa diferença de R$ 5,40, que é o que o cidadão paga para R$ 11,46, valor da tarifa técnica, quem paga é o município através de subsídio, pouco mais de R$ 6,00 por passageiro”, explicou.
De acordo com o secretário, o município investe mensalmente R$ 4,4 milhões no sistema, totalizando R$ 52,8 milhões por ano, para garantir a continuidade da operação.
Suzarte também reforçou que a redução de passageiros está ligada a mudanças no comportamento da população. “Mudanças no modo de vida de cada cidadão, novas tecnologias que são os veículos por aplicativo, mudanças também e dificuldades econômicas nas transformações urbanas que acontecem no dia a dia.Então, o principal desafio do poder público é equilibrar esse cenário, ouvir a população e construir soluções que tornem o transporte coletivo novamente atrativo, acessível e digno”, decalrou o secretário ao Acorda Cidade.

Semob prevê melhorias para minimizar as reclamações
O gestor interino informou ainda que acompanha diariamente as reclamações e críticas da população e que já mantém reuniões com as concessionárias para apresentar, nos próximos dias, um plano de renovação da frota, com ampliação do número de ônibus com ar-condicionado.
Atualmente, 53% da frota do município já é climatizada, e a proposta é expandir esse percentual, inclusive por meio do programa Busão no Clima, que leva veículos com ar-condicionado aos distritos; hoje, Humildes e Jaíba já contam com 100% da frota climatizada, com previsão de ampliação para os demais distritos.
O que diz a São João
Já a empresa São João, que também atua no ramo de transporte público de passageiros em Feira de Santana, afirmou que vem trabalhando de forma constante para garantir um sistema cada vez mais eficiente. A declaração foi dada por Abel Soares, administrador da empresa.
“O quantitativo de passageiros não cobre o sistema hoje. Mas atualmente o sistema tem um apoio muito grande do município para que ele possa funcionar. Existe queda e não é só em Feira também. Feira de Santana tem tido queda no passageiro equivalente e no passageiro total. Qual é o equivalente? O equivalente é aquele que paga a passagem, que mantém ali a tarifa e tal. E o total aquele junto com os pagantes os que são beneficiados com algum tipo de tarifa que o sistema tem hoje em dia.”

De acordo com Soares, hoje a empresa está estável, mantendo os compromissos em dia com o serviço prestado.
“Em 2025 foram 16 novos ônibus. Nos últimos dois anos foram aproximadamente 30 veículos que nós implantamos no nosso lote, com ar-condicionado. Nós temos uma boa parte já da sociedade do lote sul sendo atendida com ar-condicionado. Estamos tentando fazer nosso dever de casa, com todas as dificuldades”, afirmou Abel.
Segundo a São João, tempo médio de espera é de 8 minutos
Sobre reclamações no sistema, Abel respondeu de forma pontual as queixas sobre a ausência de veículos com ar-condicionado e os atrasos. O administrado revelou que ao longo de todo o ano passado a empresa investiu cerca de R$ 8 milhões para modernizar o sistema.
“Eu entendo a sociedade, às vezes ficar aguardando no ponto, 5, 10 minutos, tem uma sensação de ser um pouco mais de tempo, realmente não é tão confortável assim. Mas o que nós temos hoje é uma oferta compatível com a demanda. Hoje a oferta que se existe no sistema é compatível com os passageiros que estão alocados nele hoje”, disse.
“Se houver um acréscimo de passageiro, obviamente tem que ter uma equação. Mas o sistema é dinâmico demais. Então você precisa a todo momento estar equacionando ele para ter essa sintonia. Nós aqui do Lote Sul fazemos isso com toda a frequência. Toda semana existe o dimensionamento de frota, a tentativa de achatar esse período que a pessoa fica aguardando. O tempo de espera hoje é em média de 8 minutos.”
Abel afirmou ainda que a empresa trabalha para reduzir esse tempo médio de espera.
Veja na íntegra a nota da Empresa Rosa:
A Empresa de Ônibus Rosa vem por meio desta prestar esclarecimentos acerca de questionamentos recorrentes sobre a situação do transporte público urbano do Município de Feira de Santana referente especificamente à operação do Lote A1:
1 – No que se refere à quantidade de passageiros, é importante esclarecer que, desde o início dos serviços, a demanda transportada nunca foi suficiente para assegurar o pleno equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Tal cenário impacta diretamente a capacidade de realização de investimentos estruturais e operacionais que dependem da sustentabilidade do sistema como um todo.
2 – Observa-se, ainda, que o número de passageiros equivalentes vem apresentando queda média anual em torno de 7% a 8%, fenômeno que não é isolado, mas reflete uma tendência verificada em praticamente todo o território nacional. Essa redução decorre, sobretudo, do aumento de gratuidades legais, da expansão de novos modais de transporte (como aplicativos e transporte clandestino), bem como da facilitação do acesso ao crédito para aquisição de motocicletas, fatores que reduzem significativamente a demanda equivalente pelo transporte coletivo convencional.
3 – Quanto à situação atual da empresa, a concessionária mantém suas atividades de forma regular, porém em um contexto de constantes desafios financeiros, diretamente relacionados à redução da demanda e às obrigações contratuais assumidas. Ressalta-se que a continuidade dos investimentos está condicionada à sustentabilidade do sistema, de modo que o equilíbrio econômico-financeiro é pressuposto indispensável para a manutenção e ampliação das melhorias no serviço.
Assim, a concessionária Rosa reafirma o compromisso com a transparência e o diálogo institucional pela busca permanente por soluções que assegurem a continuidade e a qualidade do transporte público coletivo.
Assessoria de Comunicação
Empresa de Ônibus Rosa | Direção
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade
















