Mantega chegou ao banco após mercado rejeitar indicação dele para a Vale. Tarefa era azeitar a venda para o BRB
O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração era de R$ 1 milhão por mês, segundo apurou a coluna com integrantes do banco.
Os pagamentos a Mantega pela consultoria ao Master podem ter alcançado, no mínimo, R$ 16 milhões. O ex-ministro fez lobby para o Master entre julho e novembro de 2025.
Como consultor do banco, Mantega conseguiu levar Daniel Vorcaro, dono do Master, para uma reunião com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro não está registrado na agenda do petista. Estavam presentes também Augusto Lima, então CEO do Master, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Gabriel Galípolo, que já estava indicado para assumir o Banco Central.
Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/1), o presidente Lula (PT) foi duro com o Master. Sem citá-lo nominalmente, acusou o dono do banco, Daniel Vorcaro, de “dar um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. “Falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro, disse Lula. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista.
Guido Mantega só conseguiu a vaga no Master graças à intervenção de Jaques Wagner. Ele começou a trabalhar para o banco depois que o governo Lula desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.
Embora a mineradora seja hoje uma empresa privada, o governo mantém influência na Vale por causa das concessões públicas da companhia e dos investimentos de fundos de pensão de empresas estatais na instituição. Na época, atores do mercado foram contra a indicação de Mantega, por considerá-la uma interferência indevida de Lula na empresa.
O presidente considerava ter uma dívida de lealdade com Mantega, que se manteve fiel a ele na época da Lava Jato – ao contrário de outros, como Antonio Palocci, que acusou Lula em delação premiada de receber propina.
No Master, a tarefa de Mantega era azeitar a venda da empresa de Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB).
O ex-ministro prestou consultoria ao Master até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro do ano passado.
A relação mais próxima de Jaques Wagner dentro do Master não era com o próprio Daniel Vorcaro, e, sim, com o sócio dele, o baiano Augusto Lima. Ex-CEO do Master, Lima também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro estava no palanque do evento em que Lula disse faltar “vergonha na cara” a quem defende o banco.
À coluna, Jaques Wagner negou que tenha indicado Mantega para o Master. “O senador Jaques Wagner não participou, em nenhum momento, da contratação de Guido Mantega pelo Banco Master”, disse a assessoria dele, em nota.
Fonte: Metrópoles – Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
















