Recuperação judicial de registra novo recorde no 1º trimestre

Em meio a um cenário de juros elevados e pressão financeira, o primeiro trimestre do ano registrou um novo recorde de empresas em recuperação judicial. Um levantamento do Monitor RGF mostra um crescimento de 4,4% sobre o último trimestre de 2025 e um aumento de 22% em relação aos primeiros três meses do ano passado.

O estudo mostra que foram 319 novas empresas em recuperação judicial no primeiro trimestre, encerrado com um estoque de 5.931. No período imediatamente anterior, o número era de 5.680, já no primeiro trimestre de 2025, o estoque chegava a 4.881 pessoas jurídicas na situação. Desde o início do monitoramento pela RGF Assessoria, em 2023, cada trimestre é marcado por um novo recorte.

Os dados sugerem também que ainda há um ambiente de desafio na execução de planos de recuperação judicial. No primeiro trimestre deste ano, 29% das empresas que encerraram o processo tiveram a falência decretada, registrando porcentual idêntico ao do trimestre anterior, mas mantendo-se acima da média dos registros feitos a partir de 2024.

O contínuo crescimento de empresas em recuperação judicial, segundo especialistas, é atribuído principalmente aos juros elevados e custos altos. Para Anna Luiza Piersanti, sócia do Coelho, Murgel, Atherino Advogados, “os números indicam que o ambiente econômico ainda impõe restrições relevantes à liquidez das empresas, o que se traduz em maior recorrência ao regime recuperacional como mecanismo de reorganização de passivos”.

Esse cenário foi o que também levou a Raízen e o GPA (Grupo Pão de Açúcar) a protocolarem pedidos de recuperação extrajudicial no primeiro trimestre do ano. Os casos são citados pelo relatório da RGF como forma de reforçar a pressão financeira que tem atingido grandes empresas.

Setores

Segundo o levantamento, o setor da agropecuária segue tendo o maior crescimento, tendo 14,42 empresas em recuperação a cada mil em atividade. O estudo pondera que o setor continua muito exposto à combinação entre custo financeiro elevado, risco climático, volatilidade de preços e necessidade intensiva de capital de giro, fatores que alimentam a pressão financeira e podem levar à recuperação judicial.

Em seguida vêm a indústria, com 6,92 companhias em recuperação a cada mil, e o setor de infraestrutura, com 4,08 a cada mil.

Fonte: Diário do Comércio

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