O governo da Alemanha afirmou que acompanha com atenção as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países europeus envolvidos na presença militar na Gronelândia e que irá coordenar qualquer reação com os demais parceiros da União Europeia.
Em publicação na rede X, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, disse que Berlim “tomou nota” das declarações do presidente americano e mantém contato estreito com os aliados europeus. Segundo ele, eventuais medidas serão decididas no momento oportuno. Até agora, o chanceler Friedrich Merz e os ministros do governo não se manifestaram publicamente sobre o assunto.
No setor privado, as reações começaram a surgir. O presidente da confederação patronal alemã, Dirk Jandura, afirmou ao jornal Handelsblatt que o uso de tarifas como instrumento político tende a gerar prejuízos para todos os lados. Para ele, a escalada comercial pode resultar apenas em perdas econômicas generalizadas.
O diretor do Instituto Alemão de Estudos Econômicos, Marcel Fratzscher, defendeu que a Alemanha e a União Europeia reforcem parcerias globais, inclusive com a China, como forma de responder à pressão dos Estados Unidos. Segundo Fratzscher, a Europa tem cedido de forma recorrente nos conflitos comerciais com Trump, deixando de defender seus próprios interesses e o multilateralismo. Na avaliação do economista, essa postura teria sido interpretada como fraqueza pelo presidente americano.
Estimativas apontam que a imposição de tarifas de 25%, a partir de junho, poderia reduzir em 0,2% o Produto Interno Bruto da Alemanha. Trump ameaçou no sábado aplicar novas sobretaxas a países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia até que seja alcançado um acordo para a transferência do controle da Gronelândia aos Estados Unidos.
De acordo com o presidente americano, uma tarifa inicial de 10% entraria em vigor em 1º de fevereiro, com possibilidade de aumento para 25% em 1º de junho. Diante da gravidade do impasse, está prevista para esta semana uma reunião de emergência dos embaixadores da União Europeia em Bruxelas. O presidente francês, Emmanuel Macron, também deve discutir o tema com outros líderes europeus nas próximas horas.
Trump tem reiterado que os Estados Unidos pretendem assumir o controle da Gronelândia “de uma forma ou de outra”. A ilha é um território autônomo sob soberania da Dinamarca, localizado estrategicamente no Ártico e com cerca de 50 mil habitantes.
Notícias ao Minuto
















