Ao responder texto do blogger Conversa com Tadinha, vereador filho do prefeito de Baixa Grande, demonstra impáfia, despreparo e veia autoritária

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No texto de ontem do blogger CV o editorial fez alusão ao surto de gripe que assola não apenas a cidade, mas também o país como um todo. A escrita, para quem se dignar a ler, aponta provável falta de planejamento para lidar com o surto de gripe, e abre espaço para narrativas de pessoas cujas experiências ao buscarem atendimento médico não foram bem sucedidas.

O fato é que, ao ser lido pelo vereador, o texto obteve como resposta uma série de argumentos inusitados, que ora analiso a luz da minha experiência pessoal enquanto professor e crítico, aportando também, essa análise, em outras vozes locais para tentar compreender tal resposta, e mais que isso avançar nas discussões políticas locais, necessárias dentro de uma democracia.

Ao iniciar sua resposta (em formato de áudio, inclusive disponível nas redes) o vereador desconsidera quem escreve, tratando-me como “esse rapaz”, só para lembrá-lo esse rapaz tem nome e, se chama Tadinha, orgulhosamente. O tom inicial já me preparara para o que haveria de vir. Não que ao me chamar de “esse rapaz” me ofenda, entretanto, a construção frasal nos remete a perceber que para o emissor, no caso ele, “esse rapaz” é alguém desconhecido e um qualquer; interpretei dessa maneira, e penso não está louca, exatamente porque ele sabe meu nome e me conhece de vista. Se caso não quisesse me chamar pelo nome, usasse epítetos respeitosos e condizentes a respostas dadas por figuras públicas a quaisquer matérias no âmbito da informação.

Passado isso, o mesmo vereador, inicia a argumentação entrando na questão da farmácia básica, segundo ele abarrotada de remédios e compara isso ao fato de outras cidades do interior da Bahia não fazerem o mesmo. Ok, proposição argumentativa lógica. Porém lógica no sentido de que se entende o que quem fala quer dizer, só perde por não acompanhar a lógica do texto que escrevi. O texto fala expressamente sobre atendimento hospitalar em meio ao surto gripal que passamos, quer dizer, a escolha argumentativa do legislador é equivocada e estratégica no sentido de não entrar no assunto proposto pelo texto do CV e ainda tenta comparar nossa realidade com a de outras cidades no quesito farmácia básica como se isso ajudasse na questão.

Não o bastante utiliza a ideia “pessoas que moram fora não sabem o que falam”, como se isso nos colocasse distante do lugar de fala sobre política. O uso desse epíteto pelo vereador é sintomático. Apresenta na sua emissão uma estratégia clara de tentar construir, para quem o segue, porque for do seu nicho eleitoral não será bem assim, a ideia de que eleitores como Eu que moram fora, e que se opuserem/criticarem seus projetos políticos sejam rechaçados ou tenham suas críticas invalidadas. Comportamento de quem se sente envolto e protegido pelo capital político que o cerca, e mais ainda, de quem aprendeu a fazer política desqualificando o outro, e sobre a égide da ameaça, sim, no áudio o vereador diz claramente que o texto cabe processo, isso mesmo, Werlisson opera até com quem acreditou no projeto político do qual ele faz parte de forma absolutamente coercitiva. Só que comigo isso não cola mesmo!

Sintomas de quem desconhece a função que exerce e se coloca no mesmo campo de sujeitos políticos por aí, país a fora que se acham donos de tudo e todos. Aprendeu de uma forma nefasta a encarar críticas e críticos. Demonstra na resposta pouca altivez e preparação para lidar com a comunicação, sobretudo com a palavra contrária. Se apequena com argumentos distantes ao que texto propõe e se mostra grande na empáfia, estupidez e sem educação no tratamento do outro.

Deixa de se tornar grande na função delegada a ele: a de fiscalizar e responder a comunidade, ou com quem fala com a comunidade de uma forma educada como a função que exerce lhe exige. Se mostra distante dos dilemas apontados pela comunidade e se cerca de capachos que falam por ele no jogo midiático já sabido: estou contigo, fale de mim bem, mesmo que eu esteja errado, essa é sua lógica, aliás é uma operação política utilizada no Brasil e que infectou o jovem político que talvez um dia celebre o fato de poder concorrer ao cargo de prefeito não por mérito, mas por herança. Afinal nesse país a política ainda se mostra um legado de pai para filho. Importante seria, já que isso é uma realidade ainda que democrática, que seu pai o ajude a ser mais educado com todos, inclusive com quem não o apoia, é uma lição que Mimi, figura política local ensinou-me muito no trato com o outro.

Ao buscar algumas impressões de pessoas do governo e fora dele para entender a resposta do vereador a meu texto, percebi em uníssono de que para a maioria consultada o legislador se mostra frequentemente superior e averso a críticas. Outro ponto é que ele diz que eu faço críticas sem saber e por questões políticas, ora vereador na lição de casa o senhor deveria saber que toda ação é em si política, a minha a sua a de todos. O senhor certamente perdeu ou não teve a chance de ler sobre isso, aconselho aprofundar nesse tema. Quanto a mim, fui e ainda acredito na proposta desse governo, e, se até eu que creio ao criticar sou tratado como um inimigo, aconselho que seu pai o dome, caso contrário os 600 e poucos votos que garantiu a vitória da coligação se diluíra tão logo, se isso já não é uma realidade. A margem que separou a nossa chapa (falo nossa porque acreditei e acredito) e de Heraldo é muito pouca para não se trabalhar ouvindo com educação e bons modos críticos quem quer que sejam, de fora ou de dentro. Buscando nivelar o debate. O diálogo é um caminho. Mas se caso insista trilhar o caminho do autoritarismo e da resposta mal educada, saindo do campo de que todos que falam são inimigos e se propondo ao debate respeitoso, talvez seu futuro político seja promissor e distante de comportamentos da velha política nacional que produz pessoas equivocadas quando chegam a cargos eletivos. Ainda há tempo!

Do Conversa com Tadinha e imagem de divulgação