Assembleia Legislativa homenageia baiano que morreu por omissão de Moraes

Com a omissão do ministro do STF, que não analisou o HC humanitário, ele morreu dentro da Papuda por omissão do Estado Brasileiro. Parte da imprensa baiana se omitiu sobre a Sessão

A Assembleia Legislativa da Bahia realizou neste quinta-feira, o dia 9 de abril, às 15h, a sessão solene que concedeu, de forma póstuma, a Comenda 2 de Julho a Clériston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. A iniciativa foi do deputado estadual Diego Castro (PL), e foi realizada no plenário da Casa.

Natural de Ramalho, Distrito de Feira da Mata, no Oeste baiano, Clezão viveu por anos no Distrito Federal, onde atuava como comerciante. Segundo Diego Castro, ele conciliava a rotina profissional “com a luta por melhorias para sua comunidade e pelo Brasil”.

Em 8 de janeiro de 2023, depois de um dia inteiro de trabalho, fechou a loja às 16h e foi exercer o direito constitucional de se manifestar pacificamente em Brasília. Foi preso injustamente, sem ter cometido qualquer crime. Durante os mais de 10 meses em que permaneceu detido na Papuda, enfrentou uma série de violações de direitos humanos”, afirmou Diego Castro, que lembrou que Clezão era portador de comorbidades decorrentes da covid-19.

Sessão

Dirigindo-se aos familiares (também presentes a mãe Ana e o irmão Cristiano) garantiu que “vocês hoje são o nosso maior símbolo de luta pela liberdade. A vida do pai vocês, Luíza e Kézia, do seu esposo, Ediane, não foi em vão, a luta que ele travou não foi em vão, o sangue de Clezão clama por justiça”. Ele considera obrigatório não deixar o nome de Clezão “cair no esquecimento”.

Sofia Cristina Pinto de Carvalho, 9 anos, veio do Sul da Bahia com o pai somente para a sessão e foi responsável pelas duas peças musicais apresentadas. Um vídeo foi apresentado contando a história do homenageado e outros três trouxeram mensagens dos deputados Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira, de Goiás e Minas Gerais, respectivamente, e de Magno Malta, baiano de Macarani e senador pelo Espírito Santo.

Omissão de Moraes

A omissão de Moraes, que dava 24h horas para descobrir quem ligou para alguém e condenou a 14 anos um empresário que fez um pix de R$ 550 para aluguel de de um  ônibus para as manifestações legitimas de 8 de janeiro, mas a mulher de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões de um banco que enganou milhares de brasileiros.

Dentro da prisão, foi privado do tratamento adequado: os remédios levados pela família chegavam com atrasos de até 40 dias, e ele ficou sem atendimento médico especializado. Em setembro de 2023, a Procuradoria-Geral da República solicitou sua soltura; porém, o ministro Alexandre de Moraes não despachou o pleito por cerca de dois meses e, no dia 20 de novembro de 2023, durante o banho de sol, Clezão sofreu uma sequência de mais de 15 paradas cardíacas”, criticou Diego.

Cleriston Pereira da Cunha faleceu dentro da prisão, vítima da negligência do Estado e da injustiça de um sistema que ignorou seu direito à vida e à liberdade, mas seu nome e sua luta permanecerão na memória dos que acreditam em um Brasil livre e justo”, continuou.

Na avaliação do deputado, o caso “revela uma negligência das autoridades judiciais em sua forma mais cruel no que tange aos presos em razão do 8 de janeiro, afora as questões jurídicas e processuais: a falta de acompanhamento médico adequado, a demora em seus processos e a ausência de um devido tratamento digno para um ser humano, que deveria ser respeitado em sua dignidade, independentemente das acusações que recaíam sobre ele”.

Fonte: Ascom Assembleia Legislativa da Bahia

recentes