Com portões fechados e alunos distantes das salas de aulas, a pandemia do coronavírus modificou a estrutura do ensino educacional no Brasil. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), agência da ONU responsável por acompanhar e apoiar a educação, comunicação e cultura no mundo, a pandemia de covid-19 já impactou os estudos de mais de 1,5 bilhão de estudantes em 188 países, o que representa cerca de 91% do total de estudantes no planeta.

Em entrevista ao Acorda Cidade, a pedagoga Irla Manoela informou que após essa modalidade de aulas remotas, é notório perceber que existem crianças com facilidade no aprendizado, enquanto outras necessitam de auxílio integral de um adulto para orientar durante o processo das aulas.

Foto: Arquivo pessoal

“Eu posso abrir duas vertente sobre isso e dizer que 50% das crianças não tem aquela facilidade de aprendizagem no ensino remoto que requer a presença de uma pessoa ao lado para indicar, dando um norte e os outros 50% é da autonomia da criança e isso eu vi muito desde o mês de março quando iniciamos o processo de aula remota, em ligar o microfone e desligar, levantar a mão esperando o outro coleguinha falar. Então foi um impacto dividido em 50%, onde têm crianças com essa autonomia, uma maturidade e outras crianças que precisam dos pais ali do lado para dizer que aquele momento é a vez do colega falar, ouvir a professora e são esses impactos que vamos percebendo ao longo do prazo”, disse.

Para a pedagoga, mesmo que o modelo de aulas remotas continue, é possível correr atrás dos prejuízos que ficaram em 2020, desde que se tenha o apoio da família.

“No de 2020, foi muito mostrado a parceria entre família e escola. Caso não tenha uma família atuante, uma família presente que entenda que naquele momento a criança precisa de um suporte para desenvolver os aspectos tanto cognitivos, quanto aspectos da linguagem, e se não tiver essa parceria, não tem como correr atrás dos prejuízos, que na realidade são desafios que vamos superando”, concluiu.

A bióloga e também professora do ensino médio, Camila Martins explicou que a rotina das filhas foi intensamente modificada com o modelo de aula online, e acredita que no ano de 2021 o ensino híbrido possa permanecer.

Foto: Arquivo pessoal

“Essa rotina foi completamente modificada e precisamos ter um suporte maior para manter esse ritmo, porque acredito que em 2021 a gente ainda tenha o ensino híbrido e precisamos nos preparar porque mesmo com vacina, as crianças ainda não estão dentro do plano de vacinação pelo menos nessas próximas etapas do próximo ano, então ainda iremos conviver com essas aulas online para tentar superar as dificuldades que a pandemia do covid nos apresentou em 2020”, destacou.

Ainda segundo Camila, o apoio da sua mãe, que já foi professora do ensino fundamental, foi um grande suporte no aprendizado das filhas com as atividades remotas.

“Eu acredito que foi até de forma proveitosa somando-se o fato que sou professora do ensino médio e minha mãe que era professora do ensino fundamental. Tivemos um bom suporte dentro de casa o apoio nesse acompanhamento das atividades remotas e isso de certa forma garantiu uma certa aquisição de conhecimento das minhas filhas que podemos considerar como aprendizagem significativa”, finalizou.

Por Gabriel Gonçalves