Oke Göttlich, presidente do St. Pauli e um dos dez vice-presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), concedeu uma longa entrevista à edição deste sábado do jornal alemão Hamburger Morgenpost, na qual defendeu que “chegou a hora” de “considerar e discutir seriamente” um eventual boicote à Copa do Mundo de 2026, em razão das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Quais foram as justificativas para os boicotes aos Jogos Olímpicos de 1980? Do meu ponto de vista, a ameaça potencial é maior agora do que era naquela época. Precisamos ter essa discussão”, afirmou, em referência ao boicote liderado pelos Estados Unidos contra a invasão da União Soviética ao Afeganistão, que contou com o apoio de mais de 60 países.
“O Catar era político demais para todo mundo e, agora, somos completamente apolíticos? Isso realmente me incomoda muito, muito mesmo (…). Como organizações e sociedades, estamos nos esquecendo de como impor tabus e limites e de como defender valores. Os tabus são uma parte essencial do nosso posicionamento”, prosseguiu.
“Um tabu é quebrado quando alguém faz uma ameaça? Quando alguém ataca? Quando pessoas morrem? Eu gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando ele atingiu o seu limite — e também gostaria de saber isso de Bernd Neuendorf e Gianni Infantino”, completou, apontando para os presidentes da DFB e da FIFA, respectivamente.
A base do posicionamento firme de Oke Göttlich está nas tentativas do presidente dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), assim como na ameaça de impor tarifas a oito países europeus que se opuseram à iniciativa.
“A vida de um jogador profissional não vale mais do que a vida de inúmeras pessoas de diferentes regiões que estão sendo, direta ou indiretamente, atacadas ou ameaçadas pelo país anfitrião da Copa do Mundo”, completou o dirigente.
O cenário da Alemanha (e de outros países) na Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo de 2026 será organizada pelos Estados Unidos, Canadá e México, entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Pela primeira vez na história, o torneio contará com 48 seleções, em vez das tradicionais 32.
A Alemanha está no Grupo E, ao lado de Equador, Curaçao e Costa do Marfim. Portugal, por sua vez, disputará o Grupo K, juntamente com Uzbequistão, Colômbia e o vencedor do playoff que será disputado no próximo mês de março entre República Democrática do Congo, Nova Caledônia e Jamaica.
Avançarão para a fase seguinte os dois primeiros colocados de cada grupo, além dos oito melhores terceiros, de acordo com a pontuação obtida ao final das três rodadas.
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