É celebrado neste domingo (4), no Centro Histórico de Salvador, o Dia de Santa Bárbara, que no sincretismo religioso é a orixá Iansã. Centenas de católicos e candomblecistas participam dos festejos religiosos e profanos, que ocorrem durante todo o dia.

As celebrações são abertas às 5h, com uma alvorada de fogos no Pelourinho. Às 8h é realizada uma missa campal, seguida de procissão pelas ruas do Centro Histórico. O tema deste ano do Dia de Santa Bárbara é “Santa Bárbara, espelho de obediência e fidelidade, ajudai-nos a sermos perseverantes na fé em Cristo, nosso Redentor”.

Após a procissão, começa a celebração profana. Os fiéis seguem para desfrutar do caruru oferecido no Mercado de Santa Bárbara e no Quartel do Corpo de Bombeiros, pontos do percurso. A festa prossegue com shows musicais em diversos pontos do Pelourinho, durante todo o dia. Entre as atrações, estão o grupo Vou com Fé: Samba de Oyá’ e os Ensaios dos Blocos Samba Fogueirão, e Jaké, na Praça Quincas Berro D’Água. Também vão marcar presença Samba Pretinho, Grupo Movimento e Samba de Verdade, na Praça Pedro Archanjo.

História
Reza a lenda que no final do século III, Santa Bárbara era uma bela jovem, filha de um rico e nobre morador de Nicomédia (atual Turquia), chamado Dióscoro. O pai teria aprisionado a filha em uma torre para protegê-la do assédio masculino até que atingisse a idade matrimonial. Quando isso aconteceu, Bárbara já estava convertida ao cristianismo e não aceitou casar-se e renegar a sua fé. Transtornado, Dióscoro degolou a filha em praça pública e, após matá-la, foi atingindo por um raio.

Já Iansã, também conhecida como Oyá, é tida como “Senhora dos Raios”. A poderosa Orixá africana também controla os ventos e as tempestades, além de ser bela e determinada. Muitos acreditam que Iansã era uma mulher-búfalo e que o capitão Ogum, enquanto caçava, ia matar o animal que virou uma encantadora mulher, por quem ele se apaixonou e casou. Outra versão para essa mesma estória diz que Iansã, já esposa de Ogum, teria feito uma fantasia de búfalo para fugir às escondidas, de vez em quando, e se encontrar com Xangô, por quem era apaixonada.

Santa Bárbara e Iansã têm como similaridades o que hoje é chamado de empoderamento feminino. Além de ambas as divindades serem representadas em imagem segurando uma espada.

Do G1 BA – Foto: Max Haack/Ag. Haack