Em novembro, o antigo MERCADO DE FARINHA, hoje chamado MERCADO DE ARTE foi incendiado, “misteriosamente”.

Este mercado foi uma das inúmeras obras do grande ipiraense José Leão dos Santos. Para época, sinalizou a modernidade da cidade e o ordenamento de sua grande feira-livre. Por estas e outras realizações, foi prefeito por três mandatos, algo inédito em nossa História.
Em decorrência do incêndio, a Feira Livre foi reduzida às cinzas, ao canto de rua, à poeira, ao esgoto, com a mudança de local para o bairro do Morro da Alegria (?) pela gestão Diomário Sá.

Com a perda de sua destinação inicial, o mercado foi transformado num ponto de encontros e divertimentos. Para tanto, não foram realizadas grandes melhorias: funcionava na base da ideia de um espaço para arte e pela resistência dos que lá foram trabalhar sem que houvessem os necessários investimentos públicos.

O incêndio desmoronou não apenas o telhado do mercado, reduzindo-o a meros escombros, mas também o ambiente de trabalho e fonte de renda de muitas famílias além de destruir principalmente, um dos maiores símbolos da cidade, já tão escassa de simbologias concretas.

Este mercado poderia muito bem ter seus contornos ligados ao logotipo da nova(?) Gestão da cidade, a medida que é um espaço público municipal. Ao contrário, preferiram o símbolo da nossa Igreja Matriz, violando a laicidade do Estado Brasileiro. Como pode uma Gestão Pública eleger como seu símbolo uma foto que representa uma certa religião?

Nada contra a religião católica, da qual tenho tentado ser um praticante fervoroso, após ter passeado por outras religiões que contribuíram muito positivamente para minha formação. O que quero discutir nestas poucas linhas é que, sem sombra de dúvidas, o uso da imagem da igreja Matriz viola a laicidade do município de Ipirá e faz com que sua população questione porque não foi escolhida a imagem do bonito e arrojado templo da Igreja Presbiteriana ou de uma das outras várias religiões sediadas no município.

Assim, o uso da fotografia do nosso Mercado de Arte como logomarca da gestão municipal, a um só tempo, expressaria a nossa história e a identidade de uma população que está longe de sentir ORGULHO DE VIVER AQUI. Mas o mercado de arte foi descartado, incendiado e foi pro chão no dia 22/11/2016.

Respondia pela municipalidade no momento do incêndio o ex prefeito (tampão e escada) Juracy Oliveira Junior – JOTA. Caiu no colo dele este desastre que culminou com a destruição de um dos maiores símbolos da cidade. Como ele representava “mais do mesmo”, nada fez, SEQUER TIROU OS ESCOMBROS DO LUGAR, ou seja, foi incapaz de fazer um mera faxina, acionando a limpeza pública municipal.

Pior: este ex prefeito ainda recebeu um prêmio no final da gestão. Ingressou no cofre da Prefeitura de Ipirá a quantia de R$2.067.346,82 (DOIS MILHOES, SESSENTA E SETE MIL, TREZENTOS E QUARENTA E SEIS REAIS E OITENTA E DOIS CENTAVOS). O tempo era curto, mas dava para ter planejado a recuperação do Mercado de Arte com este recurso, oriundo da Repatriação que Ipirá teve direito a receber. Para onde foi este dinheiro?

Iniciou no dia 01/01/2017 uma nova (?) gestão e, decorridos praticamente 4 meses, SEQUER OS ENTULHOS FORAM RETIRADOS. Daí podemos notar que o orgulho é apenas um jogo de marketing, uma frase escrita num papel, desprovida de nenhuma prática. Pelo menos usaram a cor apropriada, porque o orgulho vem de cor preta, significando o luto, a dor, a tristeza, que, por certo norteará os próximos 4 anos, embora estejam tentando ressuscitar a micareta. Cenas do próximo capítulo.

Mas por que os novos (?) governos insistem nesta prática de deixar destruído o que os seus antecessores fizeram? Será que é para que o nome de José Leão dos Santos seja esquecido? Talvez para que a população não lembre-se das gestões Luiz Carlos Martins/Diomário Sá, que teve a ideia de destinar o mercado para a Arte, embora sem a devida qualificação.
Há ainda uma terceira alternativa, deixar piorar a situação do Mercado com a chegada das chuvas, para que a obra de recuperação seja ainda mais vultosa – MAIS CARA, SUPERFATURADA. Assim, uma reforma que custaria, neste momento, cem mil reais, poderia ser superfaturada em um milhão de reais para que os bolsos que irão faturar nesta licitação fiquem ainda MAIS ORGULHOSOS DA GESTÃO.

Como é triste vir à Ipirá, ver a cidade largada, ver o seu Mercado de Arte em escombros, ver o novo cemitério já lotado, pois foi construído em dimensões pequenas, de forma precária e sem a devida infraestrutura. Trágico e irônico o fato que o seu idealizador hoje jaz ali. Além disso, a cidade cresce para o lado da Fazenda Várzea e 20 de Abril de forma desordenada, ruas tortas, UMA LÁSTIMA.

Mas já fora anunciada a Avenida Rio Grande do Sul em detrimento de tantos outros nomes da NOSSA RAIZ e que a gestão insiste em esquece-los como: José Leão dos Santos, Elofilo Marques, Padre Alcides, Delorme Martins, Maria José Matos Macêdo (Profa. Zezé do Padre), Marilurdes Melo, Mareny Carneiro, Francisco Glicerio Dultra dos Santos (Chicão), Fernando Pomponet Dultra (Da padaria), Julio Pedreira Dantas, Djalma Melo Magalhães, Arnaldo Lima Barreto (Prof. Arnaldo) e tantos outros que partiram, para o descanso e pior, para o esquecimento.

Cadê o ORGULHO?

Por Dr.Ricardo Sampaio
Advogado e Professor de Direito da Universidade Estadual da Bahia “UNEB”