A tradicional festa da Lavagem do Bonfim acontece sempre na segunda quinta-feira do ano. Desta vez vai acontecer neste próximo dia 12 e é considerado a maior festa popular de Salvador depois do Carnaval. O cortejo que normalmente começa por volta das 8h, da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, e vai até a Colina Sagrada, no Bonfim, onde ocorre a lavagem das escadarias da igreja. O festejo normalmente conta com a presença de autoridades políticas locais, líderes e representantes de diversas correntes religiosas.

O cortejo de Senhor do Bonfim começou no ano de 1754, quando a imagem de Jesus Cristo crucificado chegou à capital do Brasil na época, Salvador, transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria Igreja, construída na Colina Sagrada. Ela foi trazida pelo Capitão do Mar e Guerra da Marinha Portuguesa, Teodósio Rodrigues em 1754.

Apesar da homenagem ao Senhor do Bonfim ter começado em 1754, a lavagem das escadarias só foi iniciado quase 20 anos depois, em 1773, quando os padres da Irmandade “Devoção do Senhor do Bonfim” obrigaram os escravos a lavar a igreja, preparando-a para festa do domingo após o Dia de Reis. Os negros aproveitavam a ocasião para realizarem os preparativos para a homenagem à Oxalá, que dentro do sincretismo religioso, é representado pelo Senhor do Bonfim.

Atualmente a lavagem da escadaria da Colina Sagrada, localiza no Bonfim, é realizada pelas baianas, onde elas despejam no local e nas pessoas um líquido cheiroso que elas consideram que seja uma forma de purificar a igreja e também os populares que foram fazer a festa. Em seguida, existe lugar o lado profano da festa, no largo da Igreja, onde acontece as festividades com barracas de bebidas, comidas típicas e muita música.

Sincretismo religioso

A lavagem do Bonfim também é tradicional pelo Sincretismo Religioso. Isso acontece porque na época em que as festividades foram iniciadas, o Brasil ainda era uma colônia de Portugal e vivia um regime escravista, onde os negros africanos e seus descendentes não tinham qualquer liberdade, nem mesmo a religiosa, e, por causa disso, para manterem as suas tradições, os escravos associavam figuras importantes da Igreja Católica, religião oficial na época, com os seus orixás, deuses do Candomblés.

Na lavagem, o Senhor do Bonfim, imagem de Jesus Cristo, é associada com um dos principais orixás do Candomblé, Oxalá e, por isso, as baianas se vestem de branco, cor tradicional desta entidade que recebe a devoção de diversos descendentes dos negros africanos que eram escravizados.

Redação VN
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