O representante da delegacia estadual da CUT, Reinaldo Freitas, esteve na fábrica de calçados Paquetá, em Ipirá, para levar informações aos funcionários quanto à taxa especial cobrada dos trabalhadores. “A taxa especial é um percentual que todo movimento sindical brasileiro, representado por diversas centrais do país, cobra no período da campanha salarial”, afirmou. De acordo com Freitas, a taxa especial é resultado de diálogo com os trabalhadores, quando da elaboração da pauta de reivindicação, onde é definido o percentual.

Ainda de acordo com o representante da CUT, esse processo de negociação tem um custo a mais, como deslocamento, assessoria jurídica e impressão de informativo. Ao final do processo de negociação, com a assinatura da convenção coletiva, fica acertado o acordo, estabelecido percentual a ser cobrado e o prazo que é dado aos trabalhadores que porventura não queiram colaborar, pois eles tem o direito de rejeitar, inclusive. A taxa não é obrigatória. “Nós fazemos o nosso trabalho porque acreditamos que quem tem que bancar, quem tem que sustentar o sindicato, são os trabalhadores, através de um percentual, de um valor do seu salário, para que o sindicato continue existindo”. Contudo, Freitas diz entender o trabalhador que encaminha a carta ao sindicato indicando que não adere à taxa.

A dirigente sindical, e ex-presidente do sindicato, identificada por Arlete, segue a mesma linha de raciocínio de Reginaldo Freitas e acrescenta que a resistência não é generalizada, “é meia dúzia de trabalhadores que está insatisfeita com o sindicato e tá tentando jogar essa carta, de modelo pronto, na mídia e nas redes sociais pra induzir os trabalhadores a assiná-la”. Segundo Arlete, muitos nem sabem o que estão levando (sobre a carta) ao sindicato.

Uma funcionária da fábrica, identificada como Maiara, contrária à taxa, também fez suas considerações. “É uma contribuição que gira em torno de 75 mil reais, e o funcionário não tem retorno de um parque aquático, de um auxílio-creche para as pessoas que precisam estar aqui trabalhando, só mesmo quando a empresa paga. Então não tem porque ser descontado um valor (R$ 38,65) de um dia de trabalho do funcionário por causa de um acordo entre direção e sindicato sem nenhuma comunicação ao funcionário, sem nenhum edital. Eles têm que expor também, falar não adianta, eles têm que mostrar tudo. Se tem contador e advogado, tem que ter uma pauta com tudo escrito. Uma contabilidade exata, que hoje não existe”, afirmou a funcionária.

Quanto à necessidade de apresentação da carta ao sindicato, Maiara explica que precisa ser manuscrita e que ela não é dada pela empresa; pode ser adquirida por meio da internet e pode indicar tanto a não adesão ao desconto, quanto à desassociação do sindicato. A funcionária conclui dizendo ter encontrado dificuldades na entrega do documento, e que o prazo previsto não foi obedecido. Afirma ainda que cada um tem seu livre-arbítrio para fazer as escolhas que achar melhor, e que a Paquetá não está fazendo oposição alguma à procura do sindicato pelos funcionários.

Por Diogo Souza (com informações da rádio Ipirá FM) 03/03/17 – Imagem de divulgação