Conforme pesquisa da Embrapa, mais de 1 milhão e 260 mil km2 em 1.440 municípios de oito estados da região Nordeste e do norte de Minas Gerais estão suscetíveis à desertificação. A Bahia é o estado com o maior número de municípios na área (291), seguida de Piauí (217) e Paraíba (209). Esta dimensão se refere à degradação extrema do solo, da cobertura vegetal, da biodiversidade e da perda de capacidade produtiva das atividades agropecuárias.

Em todo o Brasil, a área suscetível à desertificação abrange 16% da extensão nacional. Dos 417 municípios baianos, 258 estão localizados na região semiárida, o que corresponde a 62% do território do Estado. Esse fato é muito preocupante, visto que são nas regiões áridas e semiáridas que a desertificação ocorre com mais frequência.
Frequentemente utilizadas nessas regiões para “limpeza” do solo, as queimadas são um sério agravante desse processo, pois destroem a microfauna do solo, prejudicando a fertilidade da terra e diminui a quantidade de nutrientes disponíveis.

Iêdo Bezerra Sá, pesquisador da Embrapa Semiárido, caracteriza a degradação das terras como consequência da ação humana e de fatores climáticos. “Nas áreas rurais são comuns práticas de desmatamento, extração excessiva de produtos florestais, queimadas, sobrecarga animal, uso intensivo do solo e seu manejo inadequado”, esclarece. Para ele a seca prolongada nessas regiões tornou evidente as consequências derivadas da ação humana.

Segundo Antônio Magalhães, assessor técnico do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o clima não deve ser responsabilizado pelo empobrecimento extremo do solo. “Enquanto a seca é um fenômeno climático, a desertificação é um fenômeno humano”, afirma. Para ele, os pontos da caatinga que já cederam são aqueles em que o desmatamento avança para abrir espaço para a agricultura, produção de energia ou comércio de madeira. Como não há medidas para controlar a erosão, o solo fica cada vez mais pobre e a paisagem muda, sendo substituída por uma vegetação típica de climas áridos.

Em 2015, o plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei 70/2007, que cria a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Além de estabelecer princípios e objetivos da política, a proposta autoriza o Executivo a criar a Comissão Nacional de Combate à Desertificação, que será responsável por implementar ações e articular as iniciativas de órgãos federais, estaduais e municipais. Para o senador Otto Alencar, as soluções para o problema precisam de uma lei específica sobre o tema, pois nas áreas propensas à desertificação vivem cerca de 23 milhões de habitantes, em mais de mil municípios, sendo um problema ambiental que merece um cuidado muito grande e que precisa ser combatido.

Fonte e foto: UPB