Disputa com Bolsonaro gera visibilidade nacional e alimenta movimentos de Rui por corrida presidencial

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Cruzar o caminho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no imbróglio pela inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, deixa um saldo de visibilidade nacional ao governador Rui Costa (PT), que ensaia movimentos e passou a ser cotado para a eleição presidencial de 2022.

Os principais jornais do país exploraram o assunto e replicaram a mensagem do governador, distribuída em vídeo, afirmando que não participaria da cerimônia com Bolsonaro por considerar que o evento se transformou em uma convenção político-partidária.

O embate em torno da paternidade da obra em solo baiano, há poucos dias dos ataques de Bolsonaro a governadores do Nordeste, também coloca Rui no epicentro da questão, justamente por ser ele o presidente do consórcio que reúne os nove chefes que governam estados da região.

Na avaliação do cientista político Joviniano Neto, a coesão do grupo pode credenciar o governador baiano como alternativa ao futuro pleito presidencial, embora a região nordestina não tenha histórico de emplacar candidatos. “Lula nasceu no Nordeste, mas nasceu politicamente no Centro-Sul. Haddad é paulista, Aécio é mineiro, Alckmin é paulista. Bolsonaro, apesar de ser todo estranho, é político carioca”, lembra o especialista.

“Não creio muito, não [na candidatura de Rui para presidência da República] porque infelizmente nós estamos na Bahia […] Apesar de ter o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, não tem sido decisivo na hora de escolher candidatos a presidente, que são sempre originários do Centro-Sul. O peso político e econômico, principalmente, não dá muita esperança de um candidato do Nordeste. Ciro é um exemplo disso, de se cacifar a nível nacional”, acrescenta Joviniano.

A facilidade de transitar entre legendas de centro-direita e centro-esquerda, como as que abriga em sua administração na Bahia, pode abrir uma janela de oportunidade a Rui, que, segundo o cientista político, mostra “capacidade de aglutinar” no consórcio do Nordeste. “Numa crise tão desgraçada como essa que está pode aparecer um outsider, que corra por fora e consiga mobilizar. Mas o estilo de Rui Costa é mais o estilo do gestor, é do administrador, não é do homem que empolga. Já Haddad seria um grande conciliador nacional, grande articulador nacional”, observa.

Segundo ele, Rui Costa pode chegar a 2022, quando encerra seu mandato de governador, tendo agregado ao currículo o perfil de “bom articulador” e que “conseguiu manter os governos funcionado com certo grau de independência do governo central que não quer dar nada”. “O consórcio de governadores é um instrumento de defesa da Federação, é uma aliança de sobrevivência em época de crise que pode maximizar os recursos e os esforços dos governadores de uma região em que Bolsonaro tem minoria. O efeito político é uma articulação maior dos políticos nordestinos […] região que que garantiu apoio a Haddad e o segundo turno de Dilma”, avalia.

Por: Eliezer Santos com imagem divulgação/Secom-BA