(FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta terça-feira (6), pegando carona no bom humor externo após o mercado digerir o impacto inicial da invasão dos Estados Unidos à Venezuela no final de semana. Os investidores também seguem à espera de novos dados sobre as economias norte-americana e brasileira nesta semana.
Às 15h47, a moeda recuava 0,58%, cotada a R$ 5,372. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,362. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,15%, a 163.732 pontos.
A cerimônia de posse da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ajudou a dissipar parte da cautela que rondava as mesas de operação desde o ataque norte-americano a Caracas no último sábado.
Vice de Nicolás Maduro, Rodríguez declarou lealdade ao ditador e disse que prestava o juramento “com pesar”.
“Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos.”
A posse da líder interina reduz a incerteza sobre como será conduzida a política econômica da Venezuela, em especial no que diz respeito à indústria do petróleo.
“Os fluxos iniciais de busca por segurança no dólar já se dissiparam”, afirma Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury. “Não é uma grande surpresa, dada a limitada integração da Venezuela à economia global, que tem sido restringida por políticas governamentais e sanções internacionais.”
Ele ainda aponta que, para o mercado, há uma sensação geral de que a operação foi um ataque pontual e direcionado, e não o início de um conflito prolongado, especialmente ao considerar que Rodríguez não sugeriu ações militares de retaliação.
Segundo ele, a remoção do regime Maduro aponta para uma transição política gradual e, “espera-se”, pacífica, que pode levar à abertura da economia venezuelana. “A indústria petrolífera, principal motor de crescimento do país, parece estar prestes a ser reformulada pelos EUA, o que deve impulsionar a produção nos próximos anos. Mas uma ‘retomada rápida’ não está nos planos, e qualquer impacto nos preços globais do petróleo provavelmente demorará a ser sentido”, afirma Ryan.
Os preços do petróleo Brent, referência internacional, estão em queda, apagando parte dos ganhos de mais de US$ 1 por barril na véspera. A commodity recuava 1,13%, a US$ 61,06, na Bolsa de Londres.
No Brasil, Petrobras estendia o movimento de segunda-feira, quando perdeu R$ 6,8 bilhões em valor de mercado. Os papéis preferenciais recuavam 1,19%; os ordinários, 1,38%. Os negócios da estatal na B3 também estão sendo afetados pela notícia de um vazamento de fluido de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, que paralisou as operações da petroleira por tempo indeterminado.
A avaliação de analistas e investidores é que as petroleiras brasileiras podem perder atratividade com a expectativa de novos investimentos no setor na Venezuela, além de terem que lidar com preços mais baixos da commodity, devido a um potencial crescimento da oferta.
A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global.
Com o impacto inicial do ataque já digerido pelos operadores, o foco agora se volta para divulgações de dados econômicos ao longo da semana.
O principal relatório da agenda é o payroll dos Estados Unidos, uma métrica sobre o mercado de trabalho que poderá alterar as apostas sobre a política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).
Por ora, 83,9% dos investidores apostam que a decisão do banco central será de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,5% e 3,75%. Os 16,1% restantes enxergam uma nova redução como o movimento mais provável da próxima reunião, marcada para o fim de janeiro.
No Brasil, com o Congresso e parte das autoridades do Executivo ainda em recesso, os investidores não têm, por enquanto, gatilhos fortes para operar, o que mantém o dólar próximo da estabilidade ante o real e no patamar de R$ 5,40.
“Caso rompa este suporte de R$ 5,40, teremos novamente uma tendência de baixa do dólar no médio prazo”, diz o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, acrescentando que no longo prazo a divisa segue em tendência de queda.
















