Dos exames à aposentadoria: como Adilson foi preservado pelo Atlético-MG até parar

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A trajetória de Adilson nos campos de futebol acabou nesta sexta-feira, quando oficialmente anunciou que, devido a uma cardiomiopatia hipertrófica, não seguirá sua carreira, interrompida precocemente aos 32 anos. O problema do volante foi mantido em sigilo pelo Atlético-MG para não atrapalhar a equipe no clássico, até essa sexta-feira.

O problema de Adilson começou a aparecer nos exames de rotina na intertemporada. Após o descanso na pausa da Copa América, o volante se reapresentou ao Atlético-MG e, como de praxe, passou por todos os exames médicos. Um desses exames cardiovasculares apresentou uma alteração em virtude da cardiomiopatia, que ligou o alerta no clube.

Aconselhado pelo Dr. Haroldo Aleixo, cardiologista do Atlético, Adilson procurou seu médico pessoal para mais uma avaliação, que teve o mesmo resultado. Um terceiro médico foi procurado pelos dois lados, antes de qualquer atitude ser tomada. Somente após a terceira opinião médica que o volante foi afastado dos treinos.

– Fizemos uma avaliação na intertemporada que identificou uma cardiomiopatia que o impede de seguir como atleta de futebol. Discutimos isso com o médico do atleta e um terceiro profissional sobre o diagnóstico. Houve uma unanimidade sobre essa conduta, que seria abreviar a continuidade da carreira do Adilson – explicou o cardiologista.

Enquanto pensava sobre a aposentadoria e antes de tomar a decisão, Adilson passou a desfalcar o Atlético-MG nos campos. O clube conseguiu preservar o jogador, que ficou na academia fazendo atividades isoladas desde o dia 3 de julho, quando deu sua última entrevista coletiva ainda como jogador.

Adilson só reapareceu nessa quinta-feira, quando desceu do ônibus junto com os demais atletas, mas de tênis, já vetado para o primeiro clássico da Copa do Brasil. Viu de perto a derrota para o Cruzeiro, quando foi dar apoio aos companheiros, que já sabiam de sua situação, fato que influenciou no placar elástico de 3 a 0.

O apoio do clube foi imediato. Marques e Rui Costa chegaram a ir na casa de Adilson para conversar com o volante. De longe, o presidente Sérgio Sette Câmara, que está na Europa, manteve contato com Adilson para dar todo o apoio necessário. Os companheiros também foram figuras fundamentais, não só na coletiva do anúncio da aposentadoria, mas também no dia a dia até essa sexta-feira.

– Eu primeiro lugar, queria dizer aqui que estou bem. Tranquilizar minha família, amigos e todos. Não tive nenhum problema. A vida vai seguir. Eu vou seguir no dia a dia do clube. O clube já demonstrou esse interesse em permanecer. Só tenho que agradecer.

Os próximos passos serão tomados com cuidado, mas já é certo que Adilson terá uma função no futebol do Atlético-MG. Este é um desejo da diretoria e um pedido do jogador, que seguirá como funcionário do Galo. Detalhes serão elaborados nos próximos dias, pois o clube conta com o ex-volante no dia a dia da Cidade do Galo.

Por Rafael Araújo — de Belo Horizonte – Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG