Algumas considerações sobre o APARENTEMENTE LEGAL MAS ABSURDAMENTE IMORAL.

Ipirá, ultimamente, está cada vez mais famosa pelo absurdo dos fatos que vem ocorrendo. Que município do Brasil teve quatro prefeitos em exercício no mesmo mandato? Cidade onde há “advogados” que “advogam” sem terem inscrição na OAB. Lugar em que cursos EAD (“estudo” a distância) são mais valorizados dos que os presenciais que se instalaram na cidade… Esses são apenas alguns exemplos.

Mas o último acontecimento político beira o ESCÁRNIO com toda a população ipiraense: a nomeação, de uma só vez, de três integrantes da mesma família. Levando em consideração a quantidade de secretarias existentes, fazendo uma regra de três apressada, cerca de 40% das secretarias ficaram ocupados por integrantes da família do atual prefeito. EIS O CHOQUE ANUNCIADO.

Antes que digam que não são parentes, juridicamente SÃO. E o que importa, se é que importa, é o que está na Lei. Infelizmente, na tentativa de combater o NEPOTISMO neste país, se deixou a brecha para nomear parentes para cargos considerados políticos, tais como secretários municipais e estaduais e ministros no governo federal. A impressão que temos é que toda vez que nosso país tenta dá um passo à frente, consegue realizar algum pra trás. É o famoso “jeitinho brasileiro” que arrasa o país deste o “descobrimento”.

Escárnio com os servidores públicos municipais de carreira que não ocuparão os cargos maiores dentro da hierarquia da gestão pública municipal e pior, talvez, terão que ensinar aos seus “superiores”. Escárnio com os ipiraenses que, um dia, deixaram suas famílias para irem estudar de verdade, se sujeitando a toda sorte de mazelas, na esperança que seu esforço fosse recompensado, chegando ao mais alto escalão do governo de nossa cidade. Estes mesmos ipiraenses que vi em estado de transe na Avenida Cesar Cabral, defendendo a bandeira do atual prefeito, por certo já perceberam a furada em que se meteram.

A regra para o ingresso no serviço público é o concurso, com exceção apenas para os cargos de chefia, direção e assessoramento. Entretanto, se espera que a regra seja quebrada somente diante de uma necessidade IMPERANTE, onde não se ache de forma alguma, dentro da própria gestão, pessoas capazes de ocupar determinadas funções. Agora vêm as minhas perguntas que são as mesmas de muitos que entraram em contato hoje comigo via Whatsaap e Facebook: O que há no currículo dos três parentes do prefeito que ocuparão secretarias EXTREMAMENTE EXTRATÉGICAS? Que experiência COMPROVADA eles tem na GESTÃO PÚBLICA? Quais cargos ocuparam verdadeiramente por mérito e não por conchavos e indicações políticas?

Em um só golpe OU SERIA CHOQUE, Secretaria de Administração e Finanças JUNTAS, entregue a primos e ao mesmo tempo parentes da primeira dama e do prefeito por afinidade. Um licita e o outro paga o que fora licitado. TUDO LINDO, PERFEITO E ACABADO. Mas o pior não é isso, o pior e ver pessoas achando isso “normal” como se a prefeitura, uma vez vencido o pleito, passasse a pertencer a quem ganhou a eleição E POR EXTENSÃO, A SUA FAMILIA.

Ora, a prefeitura sobrevive a partir do pagamento de tributos de uma quantidade enorme de pobres e miseráveis que vivem em nosso município. Muitos que vão a feira na quarta-feira para comprar apenas farinha e fubá para comerem com um pouco de feijão, quando não comem a própria palma que oferece ao resto do gado que sobreviveu a seca. O dinheiro público municipal é de todos nós e NÃO COMPACTUAREMOS COM ESTE TIPO DE INDICAÇÃO POLÍTICA, APARENTEMENTE LEGAL MAS ABSURDAMENTE IMORAL.

Pior, a cidade vive uma crise sem precedentes e tal nomeação parece consubstanciar aquele ditado nordestino que tão bem se encaixa a esta tela dantesca “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Acredito que se Delorme fosse vivo, não permitiria tal assunte.

O prefeito ao nomear tais parentes confirma apenas o presságio de muitos que diziam que esta gestão será apenas para engordar o “gado magro de fazendas falidas”. Recebo com muita indignação a estas indicações, confirmando mais uma vez QUE O INTERESSE DE IPIRÁ, DA MINHA CIDADE MÃE ESTÁ EM ULTIMO LUGAR.

Nada, absolutamente nada pessoal contra os indicados. São pessoas que conheço de vista e o Chico até me parece uma pessoa séria. A questão é meramente OBJETIVA, é a necessidade de se nomear parentes para a gestão. Numa discussão hoje no Whatsaap, um dos interlocutores disse que tem que realmente nomear gente “de confiança”.

Vejam o que a falta de instrução causa nas pessoas, só faltou falar que a prefeitura não é do povo, não é do município, que pelo fato de ter ganhado a eleição pode passar uma corrente e dizer que a mesma pertence ao vencedor do pleito. Só a educação poderá revolucionar este país!

Na realidade, a própria demora na divulgação destes nomes já revelava que algo muito obscuro estava sendo arquitetado. Será que haverá uma oposição DE VERDADE E INTELIGENTE? É hora de ficar de olho em todas as licitações, todos os contratos. Verificar o destino de cada centavo que entrará no cofre municipal (posso ensinar a utilizar cada ferramenta de controle administrativo a quem quiser defender os interesses de minha terra, seja jacú ou macaco). Porque pela quantidade de mensagens que recebi foi perceptível que a indignação ultrapassa os nichos partidários.

Será que alguém irá oferecer uma representação ao Ministério Público? Será que o Promotor/Promotora tomará alguma providência, como tem ocorrido em vários municípios em que há um Parquet combativo? Será que haverá alguma crítica nos “programas” da Ipirá FM? Ato falho, esqueci que “a radia” também é da família, ora SUPER, MEGA BENEFICIADA.

O “choque” de gestão foi o primeiro ato de corrupção (?), violação da moralidade administrativa triplamente, primeiro ato de improbidade administrativa (entendo tratar-se de NEPOTISMO). Em Ipirá é assim, você vota no prefeito e a família vem de brinde “nepotizando” e tirando sarro da cara do ipiraense.

Que vergonha Ipirá, que vergonha! Aliás, QUE CHOQUE!.

Por Dr.Ricardo Sampaio
Advogado -OAB/BA 17574 e Professor de Direito

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