Esse texto é um desdobramento do que foi abordado no último, a respeito da relação entre redes sociais e poder público, isso porque o termo sensacionalismo, tópico deste, é costumeiramente relativizado de acordo com a proporção que atingem as discussões acerca de determinado assunto.

A opção por abordar o sensacionalismo, decorre do que foi observado no programa Papo Reto dessa sexta, 12. O prefeito Marcelo Brandão iniciou da seguinte forma: “é obrigação nossa estar falando com você as coisas que estão acontecendo em Ipirá, as dificuldades porque passa o município, sempre olhando pra frente, querendo dias melhores”.

Em seguida, passou a discorrer sobre o pronunciamento do vereador Jaildo do Bonfim, na sessão da Câmara dessa semana, quando este foi enfático ao falar sobre a situação da casa dos estudantes em Salvador e a dos ônibus que transportam os universitários até Feira de Santana.

O prefeito afirmou ser ”hilário” o discurso, pelo fato de que em “12 anos o vereador defendeu uma bandeira que nada fez pela Casa”. Disse ainda que está tentando alugar um imóvel e que a documentação já foi providenciada para fazer o seguro que a imobiliária responsável está pedindo. Foi dito ainda que já existe uma planilha pronta dessa reforma e que “será iniciada imediatamente após a saída dos estudantes da casa”.

O ponto curioso fica por conta do momento em que diz: “Parem de fazer esse sensacionalismo com o povo de Ipirá, porque o povo não é bobo”. Dito isto, é possível inferir a diferença, a praticidade e a objetividade que se ganha quando quem pode e deve toma a frente da situação e diz algo a respeito do caso abordado, seja qual for que esteja em pauta de discussão.

Porque se esse papel de transmitir informações fica a cargo de a, b, c… w, x, y, z, ainda que de forma voluntária e espontânea, carece do teor oficial e apenas se forma uma redoma de conjecturas em torno dos assuntos palpitantes.

Em tempo, conforme foi abordado no texto anterior, as consequências de tais pronunciamentos e anúncios do que será feito, colocarão o próprio gestor sob o crivo da opinião pública, na situação de confronto entre o dito e o feito, o pronunciado e o realizado.

Essa postura infelizmente não evita de todo as suposições ventiladas, todavia controla a ‘carga sensacionalista’ que eventualmente se faz presente no noticiário, quando não há boa vontade ou a predisposição para o esclarecimento das questões espinhosas. Mas este é o ônus que a dinâmica social contemporânea impõe. Do contrário apenas se alimenta, com mais voracidade, o sensacionalismo.

Outro tema abordado no programa dessa sexta, que foi muito questionado nos últimos dias, foi o do transporte universitário, reconhecidamente em estado “depreciadíssimo”, conforme disse o prefeito, mas que, ainda de acordo com o gestor, é herança de governos anteriores. “Tenho quatro meses de governo, recebi a frota efetivamente sucateada, mas os estudantes universitários em bem pouco tempo já terão os estofamentos recondicionados. Já fizemos o orçamento e acredito que na próxima segunda-feira a gente comece a refazer tudo isso”. Pois bem, segunda-feira, depois de amanhã, é a estimativa oficial para o povo constatar a eficácia dessa medida a ser tomada.

Por Diogo Souza (13/05/17)