Após a aprovação da PEC que define um teto para os gastos públicos nos próximos 20 anos, nesta terça-feira (13), a reportagem do Varela Notícias entrou em contato com um economista, para esclarecer algumas questões que despertam dúvidas em todos os brasileiros.

Para o economista Diego DuPent, a proposta de emenda constitucional que deve ser promulgada na quinta-feira (15), impopular, por apresentar caráter negativo em curto prazo, porém, o especialista afirma que é mais que necessária e que surtirá grande efeito em longo prazo.

VN – De que forma a população sentirá os efeitos da PEC? De fato o burburinho de que haverá falta de recurso para saúde e educação é real?

Dument – No primeiro momento, em curto prazo, o impacto não deixa de ser negativo. O que aconteceu durante muito tempo? Se gastou mais do que arrecadou em todos os aspectos, em todos os setores, tanto saúde quanto educação, quanto todos os outros setores e a dívida pública foi aumentando. O governo teve que durante muitos anos emitir papeis para gerar receita, se endividando para poder cobrir essa diferença entre a dívida maior que a receita.

Mas o endividamento entrou em um ritmo que nenhuma agência econômica aguenta. Da mesma forma que a família, em determinado tempo da economia brasileira, o consumo delas fez a economia crescer, o consumo baseado em endividamento, chegou um momento que a família também não consegue mais se endividar e pararam de consumir. Isso gera um impacto no crescimento da economia. A mesma coisa é o estado, ele tem uma capacidade de endividamento que tem uma hora que se esgota.

No primeiro momento o impacto é negativo, mas no médio e longo prazo, com o equilíbrio das contas públicas sobra mais dinheiro para o governo investir em economia para ela crescer, e sendo assim, existirá mais recurso para investir em todos os setores inclusive saúde e educação.

VN – Definir um teto foi de fato a melhor alternativa do Governo?

Dument – O que aconteceria se o teto não fosse aprovado, é que em um determinado momento o caos estaria instalado e o governo decretaria falência, e ai sim, não sobraria mais nenhum recurso nem para saúde nem para educação. Então é chamado medida impopular, porque no curto prazo ela gera austeridade fiscal, é uma medida austera, em curto prazo, de fato traz impacto negativo, mas é pensando no médio e longo prazo.

VN- Sobre o modelo de reforma econômica adotado pelo presidente Michel Temer, comparado a outras possibilidades de arrecadação do estado, como a diminuição dos salários de parlamentares e aposentadoria integral dos mesmos?

Dument – Ai tem que haver uma luta da sociedade contra as regalias da classe política. Da mesma forma que a sociedade também tem que aguentar as conseqüências agora da austeridade, de governos que foram eleitos por ela própria, ela tem que cobrar dos políticos que estão fazendo as medidas de austeridade que eles também entrem no pacote.

A cobrança da sociedade não deve ser para medidas não existentes, porque elas existem para reparar erros cometidos por governos eleitos pela sociedade. Então a sociedade tem que entrar com a sua parte, com medidas que existem para todos, inclusive para a classe política.

VN – Qual seria a tendência do país, caso a PEC não fosse aprovada?

Dument – Ou faríamos isso agora, ou o Brasil entraria em falência total. Estávamos caminhando para o caos. O rombo do INSS é de 180 bilhões. Chega um momento que não tem mais como se endividar para cobrir rombo. Um grande exemplo é a Argentina, que até hoje não voltou a ser o que era.

Fernanda Luna *
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