Feira livre é uma tradição dos nossos municípios

A feira livre é algo que todo brasileiro convive há muito tempo e que faz parte da rotina das pequenas, médias e grandes cidades do país. É o maior supermercado dos municípios. Pertence ao povo e é administrado pelo poder municipal, pois é quem faz a limpeza após a realização. Os feirantes são pessoas simples e vivem em uma verdadeira maratona, cada dia em um município diferente. Na região de Feira de Santana, por exemplo, a jornada é iniciada na sede do município por ser a feira no dia de segunda, daí o ambulante se desloca para Santa Bárbara na terça e na quarta-feira é dia de feira livre em Ipirá. Já na sexta-feira vai para Conceição do Coité. Sábado para Serrinha e no domingo para São Sebastião do Passé.

Essa rotina faz movimentar os municípios, pois nesses dias toda a população da localidade que vive na zona rural se desloca para a sede em busca dos mantimentos, adquirindo quantidade que lhe garanta a semana. O movimento do vai e vem das pessoas nas feiras livres pesquisando e procurando a melhor conveniência para adquirir os produtos mais baratos, gera uma grande aglomeração durante todo o dia, onde parentes e amigos se encontram.
É nas feiras livres que os municípios baianos se agitam. A feira é o grande dia da semana, quando as pessoas saem de suas roças e vão às cidades ou lugarejos levando algum cereal ou mesmo um pequeno animal doméstico para vender. Antigamente as feiras livres eram um dos pontos mais altos da economia sertaneja, com elevado movimento de compras e negócios. Hoje, já não ostentam o mesmo vigor.

CIDADES – Feira de Santana é uma das maiores cidades do interior baiano. Nasceu do cruzamento de estradas, do encontro de vaqueiros procedentes do sertão da Bahia, Minas Gerais e Piauí. Além da famosa feira, que vem do século 18 e deu nome à cidade, Feira de Santana é o segundo polo industrial da Bahia e grande mercado de gado do país. Lá existe uma das maiores feiras livres do norte/nordeste. Planalto, município que integra a microrregião de Planalto de Conquista deve a sua origem a uma feira livre realizada aos domingos. A feira atraía várias pessoas, entre compradores, comerciantes e produtores que acabaram por se estabelecer no local. Outra cidade, Acajutiba, teve sua origem numa feira por força do garimpo debaixo de um pé de caju no local onde mais tarde foi construída a Estação do Leste.

No município de Conde, litoral norte baiano, uma das atrações é a feira que acontece todos os sábados. Na verdade a feira começa na sexta, com a chegada de comerciantes de várias cidades vizinhas, inclusive do estado de Sergipe. Eles chegam e logo expõem os produtos à venda, principalmente confecção de cama, mesa, banho e roupas de um modo geral. Tudo na feira é comprado e vendido. A feira livre é uma tradição que nas grandes cidades tem todos os dias. E nos pequenos municípios e povoados, só uma vez por semana. Apesar da defesa apaixonada que muitos feirantes fazem do espaço que ocupam, a atividade está perdendo terreno.

VARIEDADE – Muitos acreditam que as feiras estão perdendo espaço para os supermercados, mas a verdade é que muitas pessoas preferem a variedade da feira. As feiras livres tiveram uma baixa considerável em suas vendas, assim como outros setores, muitos acreditam que isso se deve aos mercados têm as feiras internas, onde os clientes encontram normalmente vendidos em feiras. Porém o consumidor que tem o costume de ir a feira não o deixa de fazer. Ele na verdade faz a famosa pesquisa de mercado, verifica onde o produto está melhor e mais barato e o compra. Isso mostra que o consumidor está mais consciente dos seus direitos e das inumeráveis possibilidades de compra.

As feiras livres têm a seu favor o atrativo de oferecer produtos com fartura e qualidade, uma vez que, a reposição é realizada a todo momento. Os consumidores enfrentam uma peregrinação por dezenas de barracas em busca de produtos frescos e uma boa pechincha. Apesar do conforto oferecido pelos supermercados, os fregueses ainda preferem o corpo-a-corpo com o vendedor de rua. O atendimento mais próximo nesses lugares permite algumas possibilidades impensáveis nas grandes redes, como a barganha, o contato social e a demonstração pública das habilidades de escolha por parte dos compradores.

Além da possibilidade da escolha entre as bancas, “o bom da feira é que você tem várias opções, preços diferentes, além de que há um vinculo entre nós, os fregueses, e os feirantes. É bom poder escolher os produtos com atenção. Você encontra mais tipos de frutas e legumes. Pode ser até cansativo, mas vale a pena”, é o que diz Antônia Maria Ferreira, freqüentadora assídua de feiras.

Do CN com informações da UPB