O Renova Ipirá ouviu o canto da sereia e caiu no conto do pato. Tudo começou com um aceno de vice-prefeito feito tanto pelo jacu como pelo macaco. Vice do que vai ganhar ou vice do que vai perder? Uma esparrela. Uma ou outra divide e quebra o grupo, não só no núcleo diretor como na base, o que é pior e onde mora o estrago. O racha tem proporções de extermínio, rompe com a unidade, dilacera e faz desaparecer.

A pior escolha é ir para uma aliança com uma oligarquia numa condição subalterna, submissa, coadjuvante porque perde a identidade, a autonomia e a firmeza nos propósitos e, antes de tudo, porque dobra-se nos princípios e cede no essencial. Aliança com essas oligarquias só na condição de protagonista, essa é a principal condição para não se quebrar a cara.

Levou a melhor a macacada. Concedeu a vice e ofereceu um bando de coisa. A macacada parecia aquele disco de Roberto Carlos: “Eu te darei o Céu meu bem e o meu amor também!” Quando a esmola é grande desconfia-se do santo. Eu acho que essa macacada está blefando, isso está parecendo promessa de quem não tem nada para dar e dá tudo o que não tem. O sujeito está no buraco, perdido e oferta o paraíso para qualquer romeiro salvador. A turma do Renova que não é besta caiu dentro. Quem é o homem que vai garantir o prometido? O mundo quase desaba: “aqui só tem homem que honra a palavra!” Essa frase está entrando na conta do prefeito Aníbal, de Diomário, de Antônio e Dudy. O Renova é o vice da macacada, coisa consagrada pelos homens de palavra da macacada.

Para a base do Renova pode ficar parecendo que o Renova jogou a toalha. Não tenha dúvida, jogou. A situação do Renova é delicada e complicada, está no olho do furacão, virou macaco. No dia três de outubro, vamos ver quem tem razão: os que não aderiram ou os que foram para as hostes da macacada. O resultado das eleições é quem mostrará quem agiu corretamente. Agora, é bom frisar e deixar bem claro que respeito a posição dos companheiros e eles respeitam a minha.

O olho do furacão foi essa reunião com a macacada. Minha expectativa era Diomário, para esse eu tiro o boné, um especialista em politicagem de jacu e macaco, sabe tudo e conhece de tudo, que na sua categoria chegou mais ou menos com quinhentos liderados para a macacada e disse: “Estou aqui para ser o prefeito da macacada.” E foi. Soube ser protagonista. O Renova com 2.200 votos chega para a macacada e diz:”Quero ser vice.” E é. Só soube ser coadjuvante. No meu haver, seria protagonista ou nada.

Neste momento, a macacada encontra-se numa situação complicada. Verena (com a renúncia) colocou o macaco na UTI; Ademildo desligou todos os aparelhos; agora vem Renê querendo fazer exame de sangue para salvar o bicho; enquanto o PT local, no lado de fora, fica acendendo vela para que o macaco sobreviva. O momento era para chegar um médico ou uma enfermeira e enfiar um bisturi de meio metro bem na jugular e mandar a desgraça para o inferno, aí a outra desgraça (jacu) acompanhava e essa terra tomaria ares de humanidade.

Voltando a Diomário, quando começou a falar, apurei os ouvidos, esse merece atenção redobrada, porque tem substância, é o ninja, pensa com sagacidade e expõe suas idéias com inteligência e propriedade, sempre com uma agudeza mais aprimorada do que qualquer outro ipiraense, tem o meu profundo respeito e vamos ao erudito Diomário que começou como ardoroso defensor do centralismo democrático. Olha só em que doutrina ele foi beber água! Que sujeito esperto! Está querendo mim enquadrar.

Vejam só! Quando interessa aos seus anseios ele vai à essência da matéria e coloca-a ao critério rigoroso de seu interesse. Duvido muito que Diomário aplique o conceito de centralismo democrático em sua pratica política como um todo, até mesmo pelo seu espírito autocrático, mas quando é para o enquadramento às suas conveniências ele traz à tona uma questão basilar dos partidos marxistas leninistas. Esse sujeito parece uma cobra fumando cachimbo, quem entrar aberto ele tora no meio.

Logo em seguida, Diomário fez referência ao chapão dos macacos, a coisa mais perfeita do planeta, eu pensei até que fosse alguma comida com recheio de carne de macaco, que a pessoa come com molho chantilly ou coisa do gênero. Eu pensei assim: “Olha onde esse sujeito veio molhar o bico. Será que esse Diomário já foi camelô?”

Não é nada disso, chapão é a arapuca para pegar candidato a vereador principiante, tolo e desavisado para eleger vereador macaco. É isso! Para encher o coeficiente de vereador macaco. Sem coeficiente não tem vereador e o preenchimento da última cadeira fica por conta do saldo e Diomário disse que no chapão da macacada é que o vereador de baixo rendimento eleitoral tem vez. Quem é que agüenta um sujeito desse? Seu nome agora vai ser Dió.

A esperteza de Dió resume-se nessa capacidade nata que ele carrega consigo, se tiver um ingênuo pela frente ele derruba no papo. E o que ele falou do locutor da rádio? Aí eu não posso dizer senão esse blog vira um espaço de fuxico, mas eu vou colocar uma coisa que neste momento faz certo sentido. Marcelo Brandão se perder esse pleito de outubro merece ser deportado de Ipirá, só com uma passagem de ida, com uma mala carregada de pedra, para o deserto de Saara e só retornar a este município se conseguir atravessa o deserto com um cantil de água e comendo somente caldo de pimenta malagueta.

Respeito a posição dos companheiros do Renova. A partir deste momento não terei nenhuma influência ou participação nas decisões do grupo neste período eleitoral. Espero que os companheiros tenham juízo suficiente para não levar um chabu.

Resta-me apenas fazer um parágrafo para contemplar a indignação autorizada de Jolival Soares, de Genesito Santiago, minha (Agildo Barreto) e de todos os eleitores do Renova que se sintam órfãos por não ter uma opção concreta e verdadeira de voto. Inclusive, Jolival Soares deixou uma mensagem dizendo: “Não se tira a esperança das pessoas, pois ela é o alento da vida.” O Renova era essa esperança.

Por Agildo Barreto