Ipirá

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Ipira, onde estão teus casarões e as rezadeiras da caboronga? Os indios Paiaias, e os pretos da caatinga?
Cidade altaneira, na bacia do jacuipe . Outrora chamada de Camisao. Os seus velhos coroneis, onde estao?
Onde estao os novos coroneis do sertao?
Onde esta a sua bacia leiteira?
Entre outras és pioneira, na produçao de couro e artefatos , na renda e trabalho.
Ipira, dos poetas e musicos . Dos icones que sairam dessa terra.

Uma cidade dividida, por laços antigos. Ipira.
De Santana foi prometida.
Com suas ruas largas e cumpridas.
A sua terra, tem fonte, tem cacimba.
Tem agua doce e cristalina. E o couro no malhador.
Ipira, desse povo trabalhador.

Seu Doutor, dá licenca, para falar de Ipirá. Terra de meu Avô, que nasceu na Faz Careta.
Baixa Grande e Ipira, é uma historia só. Que o diga Manelao , depois que deixou o Camisao, para o Cais.

E os troncos negreiros, permaneceram com o fim da escravidao.
Despejando os negros do sertao na praça da Bandeira. E os paiaias que foram enterrados como indigentes.

Os donos da terra tratados como se não fosse gente.
Para que falar dessas coisas, que ja passou.
Mas Baixa Grande e Ipira, vem da mesma sesmaria, que dividiu a Bahia.
O latifundio destruiu o terreiro e a religiao acabou a magia.
Muita gente ficou invisivel e continua invisivel. Muita gente vive de uma caridade do politico.

E pagam a promessa, a cada ciclo, que apenas muda o nome, do cafe para o leite
Esse é o sertao que vivo. Gosto de escrever, porque vejo coisas e falo o que sinto.
Me desculpe se incomodo alguem, mas a arte nao tem censura.
Pois, a arte é a Justica. E Justica se faz a cada dia.

Bruno Pamponet Kuhn Pereira.
Advogado e poeta do sertao.