Ipirá: Fevereiro sem Carnaval

Trinta dias de gestão do prefeito Dudy. Na questão administrativa o prefeito está embaraçado com o estado de calamidade encontrado na prefeitura. Este é o grande obstáculo deparado como o principal motivo para as reclamações do novo prefeito. Seria muita ingenuidade achar que encontraria a prefeitura entregue pelo ex-prefeito Marcelo Brandão saneada. Recebeu uma bomba, para gerir num tempo de crise e pandemia.

 

O grupo oligárquico da macacada é uma frente composta de vários grupelhos, que disputam o controle e a hegemonia quando chegam ao poder municipal. A macacada histórica é liderada pelo médico Antônio Colonnezi; o ex-prefeito Diomário, com muita astúcia e sabedoria, trafega com muito oportunismo diante das circunstâncias conjunturais; o deputado Jurandy Oliveira com um desempenho eleitoreiro de elevada potencialidade fora do município tem expressão dentro do grupo; por último Dudy, que com o cargo de prefeito ganha gordura e engrossa o pescoço na macacada. Agora é sua vez. Este é o quadro de manda-chuva.

O restante são grupinhos que transitam na periferia do poder e buscam visibilidade grudado em quem estiver no comando da prefeitura. Os vereadores do grupo são prisioneiros de uma tarefa essencial para os chefes oligárquicos, manter o eleitorado em determinada região. Este é um papel definido e importante para a reprodução e continuidade do sistema oligárquico.

O que pega mesmo é a questão política. O governo Dudy está dando um nó no pescoço e o nó é cego. Está navegando pelo cabo das Tormentas, sem previsão para chegar ao cabo da Boa Esperança. Têm alguns aspectos que se sobressaem:

Primeiro, o prefeito Dudy botou na cabeça e parte do princípio de que bancou com recursos próprios a sua campanha, sendo esse um motivo substancial para não ter um compromisso efetivo e incondicional com a cúpula do grupo. A partir dessa diretriz ele tenta se fortalecer como uma liderança; busca desgrudar-se das lideranças e tocar a sua administração demonstrando sua capacidade de liderar sua gestão.

Daí surgiu o primeiro atrito com a vice-prefeita Nina antes da posse. Esta problemática promete um desfecho com solução prolongada, difícil e complicada. Uma das lideranças do grupo da macacada está ensaiando sair candidato a deputado estadual em 2022, quebrando a unidade em torno do nome do deputado Jurandy Oliveira. Isso colocará o prefeito Dudy em xeque-mate. Vai apoiar quem? A máquina pública vai ser colocada na campanha dessa liderança que pleiteia a candidatura? Desde já, até 2022, isso tem a força de um incêndio provocado pela fogueira de vaidades da cúpula.

Outro problema é o da Auditoria, uma questão de honra para o prefeito Dudy, que deu a sua palavra que ela seria realizada. A maioria da cúpula da macacada é contrária. Auditoria com pessoas sem experiência é o mesmo que querer morrer afogado numa bacia de rosto. Se vai fazê-la, tem que ser bem feita, para não ter reversão. Nesse sentido, o mês de janeiro foi perdido.

No mês janeiro, o prefeito Dudy entrou numa tempestade e pior ainda, dentro de um redemoinho. Espetou o ex-prefeito MB, quando teve a coragem de denunciar, pela imprensa, as barbaridades da gestão do ex-prefeito MB, mas pecou em não ter adiantado uma Auditoria consistente e por uma empresa competente. Os dados têm que ser precisos e corretos. O Jurídico da Prefeitura tem que comprar a briga com vontade, vestindo a camisa do prefeito atual e não vacilando para beneficiar o ex-prefeito.

O dossiê sobre a gestão do ex-prefeito MB, com o respaldo e aval do atual prefeito terá a confiança e credibilidade para o conhecimento público da população de tudo que aconteceu. A cúpula da macacada não vê necessidade disso, prefere que tudo isso fique na base da fofoca.

Mesmo que se dispense o dossiê, todo esse desmantelo tem que ser entregue para o julgamento da Justiça. Para a cúpula da macacada tudo isso tem que acabar numa enorme pizza. Para o prefeito Dudy é uma questão de honrar o prometido na campanha e servirá para se livrar de um fantasma atracado ao seu calcanhar para poder governar.

Saindo da tempestade, restará o redemoinho, que procura impor seus interesses particulares dentro do poder público. Já tem macacos interessados no controle da cooperativa dos médicos. É sempre a mesma moeda de troca, eles querem substituir o presídio que controlava a saúde no tempo da jacuzada. Foram esses interesses particulares que colocaram a gestão MB no atoleiro.

Janeiro foi problemático. Depois da vitória e da festa a casa cai. É sempre assim e assim chegamos a fevereiro, justamente no momento ideal para o prefeito Dudy mostrar sua capacidade administrativa geral, com uma aptidão específica para a gestão pública, de maneira que seja criativo e produtivo. É isso que a população de Ipirá espera.

Por Agildo Barreto

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