Vende-se um tabuleiro de xadrez, 20×20, usado, muito utilizado desde o século passado, por um tal de jacu e um tal de macaco. Como promoção do dia do aniversário da cidade de Ipirá, se você descobrir onde está o povo na foto, você ganhará esse tabuleiro de graça, sem pagar nada. Mas, se você não joga xadrez e acha que esse tabuleiro não tem serventia, tome uma atitude e jogue-o fora, para bem longe de Ipirá e de sua vida.

O prefeito Marcelo Brandão está tranqüilo no tabuleiro da jacuzada, é o pole position na corrida sucessória 2020. Também, pudera, depois do casqueiro administrativo em Ipirá, no período desta gestão, não tem santo na família que queira segurar esse caixão sem alça para fazer um milagre. Depois do estrago em andamento, só tem mesmo o prefeito Marcelo.

Não se trata de implicância com a gestão atual, o problema é que falta um ano e sete meses para o fim dessa administração e o pouco que tem realizado é um nada diante da carência e necessidade do município. Aí nasce o desgaste político.

O atual gestor municipal dá murro em ponta de faca. Ipirá não existe no mapa para o governo federal; sem apoio do governo estadual; o administrador fica atirando no escuro. Meteu-se a fazer uma biblioteca na Praça São José sem recurso. Resultado: se embananou; essa Lan House é um esqueleto de rinoceronte branco.

Para recuperar o mercado que pegou fogo vendeu uma praça, estamos sem mercado e sem praça. Arrendou o Centro de Abastecimento e a obra estancou. A população vai pagar essa conta. Sobre a reforma da Casa do Estudante em Salvador, ele não dá nenhuma satisfação. Desse jeito ele não administra nem um povoado. Não dá a mínima para a população.

Até as coisas mais simples, que não demandam grandes recursos econômicos, como a sinalização do trânsito na cidade, é de uma armengagem total, que quem visitou Ipirá nesta Semana Santa ficou espantado com a sinalização rasteira em cones e apoiada em pedras. Paciência! Só tendo paciência. A feira de animais está se desmantelando e o prefeito não toma nenhuma atitude. Não mostra nem autoridade.

Uma coisa é certa, o prefeito fica serelepe e esperto quando a questão é finanças. A prefeitura com recursos financeiros comprometidos, quebrada na realidade comprometedora e o prefeito só enxerga o povo para pagar a conta, arrocha no IPTU; vai lascar o X nos ambulantes do centro e nas pessoas pela utilização da Praça do Mercado. Quem vai mandar no pedaço não será a prefeitura, mas a empresa que foi contemplada e beneficiada. Vê se pode uma desgrameira dessa?

Sem recurso no cofre, o prefeito apela para um empréstimo de dez milhões na CEF, que a população não sabe onde esse dinheiro vai ser empregado e não tem quem dê a garantia de que a obra vai sair do papel. Nem o líder da jacuzada Luis Carlos Martins tem coragem de avalizar esse garangau. O certo é que pelo andar da carruagem esse fricote vai estourar nas mãos do próximo gestor, caso passe, com autorização dos vereadores da oposição macaca.

Para o prefeito Marcelo Brandão se liquidar de vez, basta ele atrasar o pagamento dos salários do funcionalismo. Aí a coisa vai para o brejo de vez. E essa coisa pode acontecer, não duvidem, porque o atraso aos fornecedores é uma realidade e a chiada está virando barulho, tem prestador de serviço que tinha que receber R$ 57 mil, e foi obrigado a receber R$ 40 mil e, ainda, parcelado. Sinal de que a crise pegou em cheio.

A administração Marcelo Brandão está sangrando e sem buscar a solução para os problemas do município, ao tempo em que não dá ouvidos aos reclames da população e pensa que é o bom da boca. A macacada também vai sangrar para a escolha do candidato a prefeito, porque do jeito que as coisas andam vai ser sopa no mel, será uma retomada sem turbulência, com chance para qualquer uma das três pré-candidaturas que vão disputar o pleito de candidato.

Com a situação desse jeito, a macacada solta foguete e já se vê com a boca na botija e, nessa certeza deslumbrante a macacada não perde tempo, come poeira na estrada e tome-lhe outdoor, todos querendo a cabeça da chapa.

Não tem muito que ficar inventando nomes: se o deputado Jurandy Oliveira conseguir o asfalto prometido pelo vice-governador a candidatura à prefeito 2020, cairá no colo de sua esposa Nina. Não tem obra de graça e sempre é cobrada a gratidão do povo. Como o deputado de dez mandatos não consegue nada que preste para Ipirá é, bem provável, que esse asfalto vá para Quijingue.

Sem asfalto no centro da cidade, a disputa em curso dentro da macacada levantará duas bandeiras: a de Dudy e a de Aníbal. E, por incrível que pareça, se prevalecer o argumento mais comentado e divulgado de que “candidato a prefeito em Ipirá tem que ter dinheiro para gastar” aí, Aníbal está fora do tabuleiro e vai ter que se contentar com a vice.

Caso não exista concordância, Aníbal vai ter que se filiar ao PT, partido do governador, até o final de setembro 19. Entenderam o lance do xadrez. Um candidato do senador e outro do governador, disputando a cabeça da chapa, com a candidata do deputado correndo por fora, para enfrentar o candidato da família.

E para o PT de Ipirá isso é sopa no mel, porque ao entregar a alma, a independência e a autonomia do partido à macacada não restou outra coisa além da submissão e uma candidatura a prefeito seria um sopro de vida, porque com as novas regras eleitorais, proibindo coligação de partidos para o Legislativo, o PT de Ipirá não fará um vereador nas próximas eleições e passará em branco, vai ficar chupando prego. Fruto de que? Da coerência é que não foi.

Por Agildo Barreto