O assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, na Bahia, ganha um novo capítulo: na próxima terça-feira, 24, o Tribunal do Júri do Estado vai começar o julgamento dos réus Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, investigados pelo crime.
O caso ganhou repercussão nacional e, com a data para o julgamento do júri popular, entidades de defesa dos Direitos Humanos já se mobilizam para sensibilizar por um julgamento justo. Uma delas é a Anistia Internacional Brasil. Jurema Werneck, diretora executiva da organização, defende que o Estado brasileiro tem o dever de garantir a proteção, a justiça e a reparação para quem defende seus territórios.
“Este julgamento precisa ser um marco de verdade, justiça e reparação. Não apenas para sua família e seu quilombo, mas para todas as pessoas defensoras de direitos humanos no Brasil. esse não é um caso isolado, ele revela um padrão de violência, de racismo e de conflitos territoriais que atingem comunidades quilombolas e defensores e defensoras no Brasil. Esperamos um júri independente, transparente e que avance na responsabilização de todos os envolvidos. Porque defender direitos humanos não pode custar vidas”.
Acusado pelo crime, Arielson da Conceição Santos está preso preventivamente. E Marílio dos Santos continua foragido da justiça. Os dois respondem por homicídio qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), além de feminicídio e outros crimes.
O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu mesmo depois de a vítima denunciar frequentes ameaças. A líder quilombola, inclusive, fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.














