secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, afirmou nesta sexta-feira (23) que o governo fará uma investigação para verificar a qualidade das vacinas contra febre aftosa aplicadas nos animais cuja carne foi exportada para os Estados Unidos.

Na quinta (22), os Estados Unidos anunciaram a suspensão das importações de carne bovina brasileira sob a justificativa de que foram encontradas inconformidades, entre elas a presença uma inflação em decorrência de uma reação à vacina.

“Temos como fazer um rastreamento de todos os lotes [da vacina] utilizados. Vamos fazer um levantamento para testar a qualidade das vacinas”, disse Novacki em entrevista coletiva na sede do Ministério da Agricultura, em Brasília.

Novacki voltou a dizer que o problema provocado pela vacina não traz nenhum risco à saúde e que, geralmente, a parte com a inconformidade é descartada. Segundo o secretário, o abcesso, provocado pela reação à vacina, deixa apenas a parte da carne afetada com aparência ruim.

De acordo com ele, o Brasil exporta para os Estados Unidos a parte inteira dianteira do boi, o que dificulta a identificação desses abcessos.

Para evitar esse tipo de problema, Novacki afirmou que a equipe técnica do ministério vai propor que a exportação seja feita após o fatiamento da carne, o que torna mais fácil encontrar – e descartar – as partes com problema.

Novacki disse que o Chile identificou um problema semelhante em novembro do ano passado, que foi resolvido após a decisão de fatiar a carne exportada.

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que representa os fabricantes de vacina, afirmou, em comunicado, que a vacina contra febre aftosa brasileira “tem qualidade, segurança e eficácia reconhecidas pelas autoridades, produtores, indústria e instituições internacionais de saúde animal”.

A entidade afirmou também que diversos fatores, como a aplicação inadequada do produto, podem ter provocado as reações no gado brasileiro. “Eventuais reações provocadas pela vacina nos bovinos ocorrem por uma série de fatores, que vão da base oleosa e adjuvantes utilizados até sensibilidade e estresse animal, processo de vacinação em si, com agulhas mal esterilizadas e/ou inadequadas, e aplicação em locais inadequados.”

Decisão pode afetar outros mercados
Mais cedo nesta sexta, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que a decisão dos Estados Unidos pode levar outros países a suspender a compra da carne bovina fresca brasileira.

“Os Estados Unidos são guias para muitos países, especialmente os pequenos da América Central. O Brasil pode perder muito se essa situação não conseguir ser resolvida rapidamente”, disse Maggi.

Maggi também disse que a decisão dos EUA se baseia em questões relacionadas ao preparo e à limpeza da carne, mas pode ter sido motivada por pressão dos produtores daquele país.

O ministro também comentou que poderia antecipar, já para a próxima semana, uma reunião com o Departamento de Agricultura americano. Inicialmente a reunião foi agendada para o dia 13 de julho.

15 frigoríficos afetados
O veto à carne bovina brasileira pelos EUA levou à suspensão das exportações de 15 frigoríficos, que eram os únicos autorizados a vender carne para aquele país.

De acordo com Novacki, até maio as exportações de carne bovina fresca para os EUA somaram US$ 49 milhões. A previsão era de que esse valor chegasse a US$ 100 milhões no ano de 2017.

O secretário disse que os Estados Unidos é um mercado importante e que o objetivo é retomar as exportações o mais rápido possível. Para isso, o Ministério da Agricultura está respondendo a todos os questionamentos e tenta uma reunião o ministério da Agricultura dos Estados Unidos.

Surpreendidos
O secretário-executivo reforçou o discurso de que o Brasil foi surpreendido com a decisão dos norte-americanos e voltou a dizer que há uma disputa grande pelo mercado de carne nos Estados Unidos, que pode ter relação com a suspensão das compras.

O Brasil exporta para os Estados Unidos desde julho do ano passado e, segundo Novacki, os Estados Unidos não conseguiram entrar no mercado brasileiro por uma questão de preço.

“Mas eles só podem suspender as nossas importações por problemas sanitários e nossas equipes estão trabalhando para comprovar que não há problemas sanitários”, disse.

Desde a Operação Carne Fraca, em março, os Estados Unidos passaram a fiscalizar 100% da carne brasileira que chega ao país. Apesar da fiscalização mais severa, disse Novacki, até agora não havia ocorrido nenhuma devolução de mercadoria.

Por Laís Lis, G1, Brasília