Uma moradora da cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, ofereceu ajuda a duas das cerca de 125 famílias que ficaram desabrigadas, depois que as casas em que moravam foram demolidas pela prefeitura, no último sábado (18). A aposentada Lúcia Freitas se comoveu com a história e ofereceu um imóvel para que elas fiquem temporariamente. “Quando você vê pais de família, crianças, idosos, numa situação daquelas e daquele jeito, não tem como não tocar”, diz.

As famílias moravam na Serra do Periperi, em barracos que foram improvisados na localidade, há cerca de oito meses. A prefeitura, resposável pela demolição, alega que a área é pública e de preservação ambiental, protegida por lei, e por isso não pode ser abrigada.
Segundo Esmeraldino Correia, secretário de Serviços Públicos do município, a prefeitura tem autonomia para realizar as demolições. Ele informou que todos os que ficaram desabrigados serão atendidos, mas que esse atendimento será graduativo. “Temos um respaldo legal para atuar como atuamos. É uma área de preservação ambiental. Aos poucos e de forma pontual, [os desabrigados] serão atendidos pela ação social da prefeitura”, disse.

Os desabrigados afirmam que não foram notificados da demolição. Eles contam que foram pegos de surpresa, no meio da madrugada do sábado, pelos tratores contratados pela prefeitura.

Na manhã desta segunda-feira (20), um grupo chegou a realizar uma manifestação em frente à prefeitura, para cobrar uma solução rápida. Mãe de quatro filhos, Patrícia Reis, que está desempregada, disse que não tem para onde ir. “Só eu sozinha para cuidar dos meus quatro filhos. Só eu. Sem emprego. Vou pra onde, gente?”, contou.

Maria da Silva, que morava na região há seis meses, desde quando se separou do marido, também disse que não sabe o que fazer, já que não trabalha. “Não trabalho. Estou desempregada porque tenho minhas crianças e não posso trabalhar”, disse.

Demolição
A demolição ocorreu durante a madrugada do sábado (18). Os moradores da localidade não tiveram muito tempo para retirar os móveis. Alguns ainda conseguiram separar, mas muita coisa acabou debaixo dos escombros.

Quem conseguiu salvar alguma coisa a levou para outros locais. Quem não tem para onde ir continua no local e pretende recomeçar.

Do G1 BA, com informações da TV Sudoeste