sexta-feira, janeiro 30, 2026

Pacto entre prefeitos para evitar pagamentos de altos cachês no São João vem ganhando força em toda Bahia

Gestores de dezenas de municípios baianos estão intensificando um movimento inédito para conter a escalada dos preços pagos em cachês artísticos nas festas de São João, que ameaça a viabilidade financeira de muitas celebrações tradicionais no interior do estado.

A discussão ganhou destaque recentemente durante reuniões promovidas pela União dos Municípios da Bahia (UPB), quando prefeitos de diversas regiões defenderam a necessidade de estabelecer critérios mínimos e parâmetros de referência para a contratação de atrações musicais e serviços relacionados, como sonorização, iluminação e montagem de palco.

Wilson Cardoso (PSB), presidente da UPB e prefeito de Andaraí, resumiu o sentimento de muitos gestores ao afirmar que a disparidade de valores está “inviabilizando a realização das festas juninas, sobretudo em municípios de pequeno porte”. Para ele, o fato de um mesmo artista receber valores muito distintos em cidades vizinhas evidencia a falta de critérios objetivos e justos.

“Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o município vizinho pagar R$ 400 mil pela mesma atração”, disse Cardoso, em defesa da necessidade de um dialogo com órgãos de controle para buscar soluções conjuntas.

O principal objetivo dos gestores é articular um pacto de diálogo com o Ministério Público, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e outras instâncias de controle para definir recomendações, diretrizes e, possivelmente, um tabelamento de valores, que respeite a capacidade financeira dos municípios sem prejudicar a realização das festas, importantes para a cultura local e o turismo.

Prefeitos destacam que essa mobilização não se configura como um embate contra artistas ou produtoras, mas sim uma resposta às pressões crescentes sobre os orçamentos públicos municipais. Em muitos casos, os gastos com artistas e produção de eventos têm absorvido fatias significativas das receitas, reduzindo recursos disponíveis para áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Nos últimos anos, os valores pagos em cachês artísticos para o São João na Bahia aumentaram expressivamente. Levantamentos públicos mostram que artistas com grande apelo comercial podem ser contratados por cifras que ultrapassam facilmente meio milhão de reais por apresentação, dependendo do município e da atração.

Com o movimento ganhando força em diferentes regiões, prefeitos baianos acreditam que a adoção de um pacto de boas práticas pode garantir maior transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade de uma das tradições culturais mais importantes do Nordeste brasileiro sem sacrificar as finanças públicas.

Asscom UPB

recentes