terça-feira, janeiro 27, 2026

Prefeito critica cachês milionários cobrados por artistas para São João: “Cultura sim, abuso de dinheiro público não”

O prefeito de Conceição da Feira, João de Furão, publicou um vídeo nas redes sociais criticando os altos cachês cobrados por artistas para apresentações em festas juninas, afirmando que os valores têm se tornado insustentáveis para as prefeituras. Na publicação, ele escreveu: “Cultura sim. Abuso de dinheiro público não. R$ 1,5 milhão por show é falta de limite”.
No vídeo, o gestor alertou que o aumento expressivo nos valores cobrados por bandas e artistas nacionais tem inviabilizado a realização de grandes festejos de São João em diversos municípios da Bahia. Segundo ele, atrações que há dois anos custavam cerca de R$ 200 mil hoje chegam a cobrar até R$ 600 mil, enquanto artistas de maior projeção já estariam pedindo entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão por apresentação.
João de Furão afirmou que cidades que antes realizavam festas com orçamento médio entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões atualmente conseguem contratar apenas duas ou três atrações de grande porte. “O dinheiro não cai do céu. A realidade das prefeituras é completamente diferente da realidade vivida por empresários de bandas”, declarou.
O prefeito destacou ainda que, historicamente, parte da programação junina era complementada por festas privadas, que também deixaram de existir devido ao alto custo dos eventos. Com isso, os municípios passaram a assumir sozinhos a responsabilidade por grandes festejos, atendendo à cobrança da população pela manutenção da tradição cultural.
Diante do cenário, João de Furão defendeu a criação de um limite legal para o valor pago por apresentações artísticas com recursos públicos. Ele sugeriu que o teto fosse de até 250 salários mínimos, o que corresponderia a cerca de R$ 400 mil por atração. “Qualquer valor acima disso se torna excessivo e compromete a realização das festas”, afirmou.
O gestor também alertou que diversos municípios devem anunciar, nos próximos dias, o cancelamento ou a redução das festas juninas, justamente por conta do aumento dos cachês, que, segundo ele, já representam mais de 30% do custo total dos eventos.
João de Furão ainda fez um apelo para que a Assembleia Legislativa da Bahia entre no debate e discuta a regulamentação dos gastos com atrações artísticas. “Se não houver um limite, corremos o risco de perder grandes festas de São João, que são patrimônio cultural do nosso estado”, concluiu.
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