RAIO X: MORENOU O BANQUETE DE BABETE

84

Quando fui a Paris, pela primeira vez, após pegar o transporte do aeroporto Charles de Gaulle até a estação de metrô Gare de L’Est, onde ficava o hotel, não contive minha ansiedade de turista, deixei as malas no quarto e sai imediatamente a caminhar pela cidade. Após andar por uns três quilômetros, aproximadamente, cheguei a Notre-Dami. Infelizmente, a Igreja estava fechada, já era tarde da noite e o que me restava era tomar um bom café quente, pois, estava começando o delicioso frio do inverno europeu, e comer alguma coisa saborosa.

Distraidamente, enxerguei um Café Bistrô na esquina da famosa igreja e, prontamente, adentrei-o. Me lembro como se fosse hoje! Saudei o garçom em francês, fazendo um deferimento especial a sua cultura e auto estima nacional e passei a solicitar, em inglês mesmo, o que desejava comer naquele momento. Mastigava lentamente, observando o ambiente do Bistrô, à medida que desejava mesmo era me alimentar com aquele clima europeu, de conversas baixas, tratamento refinado e muita discrição. Entretanto, quando recebi a conta do café com uma tortilha de cerejas que comi e, fui caí na besteira de converter o valor da conta do Euro para o Real, tomei um susto!

Mas não precisa ir tão longe para comer bem e pagar, proporcionalmente, caro por isso. Basta ir a São Paulo ou a Ipirá, isso mesmo, Ipirá-Ba. Se tem uma coisa que os paulistas e alguns ipiraenses sabem, é comer bem. Restaurantes como Fasano, Paris 6 e o meu preferido, Spot, todos na região dos Jardins e da Avenida Paulista, arrepia qualquer um, que valoriza uma culinária de excelência.

Mas minha atual curiosidade é para conhecer um certo restaurante de Ipirá. Aguardo receber o décimo terceiro salário, no fim deste ano, para com meu PALADAR, apreciá-lo, já que na gestão do prefeito-tampão “Jota”, a prefeitura pagou (?) a mixaria de R$18.000,00 (DEZOITO MIL reais), em um almoço para 13 pessoas. Cada convidado do almoço, comeu o equivalente ao valor de R$1.384,00, (estão vivos?).

Fico imaginando quais iguarias foram servidas neste almoço, para que custasse esta pechincha: Caviar Almas, comprado na Caviar House & Prunier, localizada no agradável bairro Picadilly, em Londres? Trufas alba brancas italianas? melões Yubari King? Obviamente, servidos com água Perier, que é uma água mineral importada da França e o melhor de todos os espumantes – A Taste of Diamonds?

Tudo isso pago pelo RICO CIDADÃO/CONTRIBUINTE IPIRAENSE! Acredito que nem certos Municípios Baianos, com riquíssimas arrecadações tributárias e repasses do Governo Federal, como São Francisco do Conde, Camaçari e Luís Eduardo Magalhaes-LEM, gastam com treze pessoas, o equivalente a R$1.384,00, por cada um, num único almoço. Imaginando um pouco mais, será que minha querida Ipirá recebeu a visita da Rainha Elizabeth II ou algum Príncipe Árabe e eu não fiquei sabendo?

E o banquete continua, agora, na atual gestão. Pois bem, uma cidade ARRASSADA como Ipirá, com animais soltos nas praças, esgotos a céu aberto, inúmeras ruas sem calçamentos, veículos que servem a população em estado lastimável, a exemplo do ônibus que leva os universitários ipiraenses para Feira de Santana, casa dos estudantes de Ipirá em Salvador com energia cortada e DESABANDO, onde se devolve AMBULÂNCIAS DO SAMU que poderiam SALVAR INÚMERAS VIDAS; vai gastar a Bagatela de R$800.000,00 (OITOCENTOS MIL REAIS) com serviços de PUBLICIDADE. A publicidade do “orgulho (?)” OU DA FALTA DE VERGONHA NA CARA?

A PUBLICIDADE QUE IRÁ CAMUFLAR/ENGANAR A FOME NO MUNICÍPIO, A MISÉRIA, A FALTA DE PERSPECTIVA DE VIDA DO MEU POVO, que faz Ipirá ser famosa em toda Bahia pelo tráfico de drogas? A FALTA DE COMPROMISSO COM SAÚDE E EDUCAÇÃO MINIMAMENTE DE QUALIDADE?

Perguntas que não poderão jamais calar: O proprietário desta empresa que “ganhou” a licitação, a W4 COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA possui alguma relação “estreita” com o prefeito ou com sua família? Por acaso a IPIRÁ FM, radio da família do prefeito e onde ele se projetou politicamente, será o veículo de comunicação mais beneficiado deste contrato? Algum filho de Deus, que faça parte da gestão, poderia nos esclarecer???

Continuando o banquete, qual a REAL FINALIDADE da malfadada obra de “requalificação” da Praça São José – o “Puxa”? Será que é proporcionar vagas de estacionamento público para certos empreendimentos do local (Colégio Maria Montessori e Clínica Santa Helena), poderem estender os seus tentáculos empresariais e angariarem mais lucro? Por que esta obra desnecessária neste momento, numa cidade com tantas prioridades urgentes? Para quem?

Morenou?
E o que tem a ver o RAIO X nesta estória toda do Morenou com o Banquete de Babete?
É que o Raio X, veja só, um mero aparelho de Raio X do hospital regional, não funciona. Ao contrário do que dizem, a UPA possui aparelho de Raio X e não é emprestado. Ocorre que o aparelho de Raio X da Upa também não está emitindo radiografias. Será que quebrou e a prefeitura não tem dinheiro para consertar?

Definitivamente, um reles aparelho de Raio X, numa cidade como Ipirá, já seria um avanço mas, não é prioridade. Já um almoço de 18.000 reais, para somente treze pessoas, um contrato de PUBLICIDADE de 800.000 mil reais, Micareta etc, são prioridades! É trágico e não cômico, que os convidados palacianos do camarote do prefeito, aqueles que se estrebucharam no chão, quando parte do camarote da prefeitura municipal DESABOU na Micareta, precisaram justamente de Raio X.

Ah! mas não nos preocupemos, pois, a Clínica de propriedade privada do Vice Prefeito, possui um aparelho de Raio X. Não o conheço pessoalmente, somente por fotografia. Entretanto, sua lisura política, na minha opinião, está comprometida, porquanto tem cunhado ocupando o cargo de secretário de agricultura do Município (nada pessoal contra o secretário ou qualquer outro nome citado neste texto, até porque a vida pessoal destes senhores e senhoras não me interessa). Ora, o prefeito e/ou a primeira dama tem 3 parentes (por afinidade/biológico) como secretários e o vice prefeito tem 1 cunhado, também parente. Sobraram quantas secretarias???

Mas o banquete continua e agora teremos um belo (?) candelabro de prata em cima de uma maca de hospital, na Secretaria de Saúde, talvez (?). O ex prefeito assume a secretaria de saúde. Importante registrar que ele já tinha emplacado sua cunhada, uma filha da bela cidade Piritiba, para o cargo de SUPERINTENDENTE DE CULTURA, uma PIRITIBANA QUE CUIDA DA CULTURA IPIRAENSE, realmente não deve haver Ipiraenses que conheça nossa cultura e por isso foi necessário trazer alguém de fora.

Devo esclarecer que não se trata de xenofobia (que significa aversão a pessoas ou coisas estrangeiras). Tem muita gente de fora que ama mais Ipirá do que os próprios Ipiraenses, FATO! Minha dúvida é se esta senhora conhece nossa história ou cultura suficientemente para ocupar um cargo tão intimamente ligado as entranhas do município.

Como filho de Ipirá, com origem nas mediações da Umburana e do Malhador, nascido no quarto dos fundos da nossa casa na Rua Góes Calmon, nº13, Centro, do ladinho da Praça da Bandeira, através de parto normal, realizado pela Grande Parteira de toda História de Ipirá, Dona Olivia; posso fazer este questionamento sobre o acerto/desacerto da indicação de uma PIRITIBANA para a pasta da Cultura IPIRAENSE.

MUITO PODER E RECURSOS PÚBLICOS CONCENTRADOS NAS MÃOS DE POUCOS!
Lembrando que a parteira Olivia salvou a vida de centenas de gestantes e a grandiosidade do seu trabalho fez Dona Zil, minha mãe, homenageá-la, dando seu nome a uma de minhas irmãs.

A crise de representatividade não está somente na gestão, perpassa por outras instituições da sociedade civil organizada e, me refiro mais precisamente, ao Conselho Municipal de Educação, que como canta Raul Seixas “quem não tem colírio, usa óculos escuro”. Numa cegueira, ao que parece, propositada, na reunião desta última sexta-feira, dia 09/06/2017, o “Conselho” suprimiu pontos importantes que estavam na pauta e se manteve silente sobre o ESCÂNDALO GENERALIZADO NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO.

Professor Almeida e demais Conselheiros, eu sei o quanto é difícil conseguir cópia de uma Lei Municipal de Ipirá. Até mesmo os próprios Vereadores possuem esta dificuldade e precisam se reportar à Secretaria de Administração, ou seja, a Câmara Municipal não tem o mínimo cuidado de disponibilizar publicamente a própria legislação que produz. Por certo o orçamento da Câmara de Vereadores de Ipirá não tem condições de custear um Site funcional, para os munícipes. Já pensou que revolução em Ipirá! Num simples clique no ambiente do Site, poder encontrar toda a legislação do município. Mas para que conhecer as Leis Municipais, não é mesmo? (NEM RIR, NEM CHORAR, APENAS COMPREENDER).

Ciente desta minha dificuldade, é que trago ao conhecimento deste Colendo Colegiado, Conselho Municipal de Educação, a Lei nº283/2002, cujo capítulo IV trata de sua competência e, no artigo 4º, inciso V, explicita que compete ao Conselho “EXERCER nos termos da lei, a função deliberativa, normativa, FISCALIZADORA e consultiva do Sistema Municipal de Educação (in verbis). Já no inciso XII, do mesmo artigo, revela a competência para “conhecer DENÚNCIAS…”.

Pois é, meu caro Professor Almeida, Digníssimo Presidente do Conselho, não entendo de Conselho Municipal de Educação, no que pertine a sua razão de existir, PARA OMITIR-SE. Os que conheci e atuei, efetivamente, como cidadão e até mesmo assessorando juridicamente a APLB de outros municípios baianos, que trabalhei como advogado, eram CONSELHOS com C maiúsculo e em CAIXA ALTA, semelhante a este presidido por Vossa Senhoria.

E por falar em APLB, o que está acontecendo com a de Ipirá? Onde está o viés combativo, que aplaudi de pé, mesmo à distância, em certos episódios de enfrentamento e luta? Será que sentou-se na mesa do banquete e lambuzou-se?

Lembrando que a SUPERINTENDENTE (segundo a folha de pagamento) E/OU DIRETORA DE CULTURA (segundo as publicidade da prefeitura), sinceramente não sei como chamar, está em estágio probatório do cargo de professora da rede municipal de educação e ocupando ao mesmo tempo CARGO DE CONFIANÇA. Infelizmente, a APLB, o CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO e o Conselho do FUNDEB NÃO SABEM DESTA INCOMPATIBILIDADE.

Conta-se a boca miúda que se pretende realizar uma Auditoria para demonstrar que a atual Lei de Cargos e Salários dos professores municipais é inexequível. Em outras palavras, para que o meu bom povo possa entender: Parece que a prefeitura não tem condição de pagar (ou não quer pagar) as despesas decorrentes da LEI que regulamenta o magistério municipal e os salários conquistados.

Talvez se isso acontecer, a APLB Ipiraense se levante da mesa do banquete e retorne à caminhada, à luta de classes, que nunca deixará de existir mas que, em alguns momentos, muitos se fazem de “bonecos” ou “bonecas” na mão de seus algozes (aguardarei as cenas dos próximos capítulos).

Pensar em todo este banquete, toda esta fartura e lembrar das famílias que vivem no lixão de Ipirá, comendo o que cai das mesas, o resto do lixo, ME DEU NÁUSEAS.
Alguém me arranja uma “bandinha” de Plasil?

Postado Por Ricardo Sampaio
Advogado