Foi ainda no voo voltando da Europa para Salvador que Jaqueline Vieira e o marido começaram a sentir os primeiros sintomas. Com a temperatura corporal acima da média normal, no mesmo dia em que chegou à capital baiana, em 19 de março, o casal foi ao hospital.

O diagnóstico já esperado, porém, só veio seis dias após Jaqueline e o esposo iniciarem o isolamento em casa, quando a secretaria de Saúde telefonou para informar o resultado positivo do teste para Covid-19. “Ficamos bem angustiados, porque demorou muito para sair [o resultado]”, ela conta. Como apresentaram um quadro leve da infecção, eles não precisaram ficar internados em hospital.

Jaqueline relata que os primeiros quatro dias do ciclo da doença foram os piores. “Senti perda de apetite. Meu marido também, por três dias. Foram sete a oito dias de febre, mas não era alta – 37 e pouco, normalmente. Minha garganta também arranhou, estava com secreção[…]Eu perdi o olfato. Meu marido não perdeu, mas perdeu o paladar, sentiu enjoo… Fora isso, dor no corpo, moleza[…]Mas depois, aos poucos, fui voltando a ter apetite, ter vontade de fazer as coisas”, conta a juíza do trabalho, de 39 anos.

Apesar de ter apresentado um quadro de coronavírus considerado leve, ela diz que nunca tinha sentido algo parecido. “Já tinha sentido esses sintomas, mas, tudo junto, não. Não é como uma gripe forte ou problema na garganta”, relata.

O mais difícil para o casal, porém, tem sido a distância da filha. Há mais de um mês, eles não veem a pequena Giovana, de cinco anos. Jaqueline conta que a filha acha que os pais ainda não voltaram ao Brasil. “Na cabecinha dela, ela não iria entender a gente estar dentro de casa e ela não poder vir pra casa, com saudade. Então, pra gente tá difícil, bastante. O isolamento já é difícil, e sem você estar com as pessoas da sua família, passar por essa situação de desconhecido, porque é um vírus que é desconhecido, não se tem um tratamento específico, é um susto grande. Mas, graças a Deus, a gente enfrentou bem e estamos bem”, afirma. Como medida preventiva, o casal deixou o quarto da filha, que está na casa da avó, isolado.

Passada a pior fase da doença, Jaqueline e Luiz, que não têm comorbidades relacionadas ao coronavírus, devem receber alta médica na sexta-feira (10), quando, segundo a mulher, eles completam dez dias sem apresentar sintomas. “Ficou só um pigarrozinho, que a gente acha que é mais do refluxo”, ela diz. A secretaria de Saúde, inclusive, já considerou o casal pelo protocolo como pacientes curados. “Eles ligaram e, pelo estado, a gente já está de alta”, afirma.

Fazer “coisas que gosta” e distrair de alguma forma a mente foram formas que Jaqueline achou para driblar os pensamentos negativos durante o isolamento. “Nossa mente é traiçoeira”, ela lembra. Durante o isolamento, eles têm recebido ajuda de amigos e familiares que, quando o casal precisa, deixam produtos na porta da casa.

Agora, recuperada e contando as horas para rever a filha, Jaqueline diz que a mensagem que quer deixar para as pessoas é de esperança. “O isolamento é difícil, mas é temporário e é necessário. Diria que faça coisas que te agrade, que te deixe calma, que, embora difícil, é para um bem maior. Tenham esperança, tenham fé. Porque isso vai passar. É assustador, pelo desconhecido […]É óbvio que é grave. Mas, vai passar. A gente tem condições de superar”, conclui.

Por: Léo Sousa/BNews com imagem do arquivo pessoal