Desde o desembarque do PSD da base de sustentação do então governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PSD) as especulações sobre uma possível saída do senador Otto Alencar, presidente do partido na Bahia, do arco de aliança do governador Rui Costa (PT) está na pauta. Somando a isso, o PSD baiano elegeu 82 prefeitos no último domingo (2). Em 2012, foram 70.

Otto se consolida com estes resultados como liderança política a ser conquistada por aqueles que têm pretenções políticas para governar o estado. Além de ser visto como uma das principais alternativas à antiga divisão entre dois polos na política estadual. O nome do senador voltou a ser lembrado para liderar o processo eleitoral de 2018 na Bahia.

Neste sentido, o burburinho ganhou força e passou a ecoar na rádio corredor da política baiana. Logo após o impechment da ex-presidente Dilma, o novo ministro da Secretaria-Geral do Governo Federal, Geddel Vieira Lima (PMDB), já havia elogiado Otto. Bruno Reis, eleito vice-prefeito de ACM Neto, também fez o gesto em direção ao senador.

Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Técnologia, tem pressionado, embora deixe Otto conduzir os processos por aqui. Em Brasília o comentário é que prepostos de ACM Neto e de seu agrupamento político estão de olho na sigla. Tentam criar fatos que possam estremecer as relações entre Otto e Rui Costa.

Por outro lado, as relações institucionais do governo estadual e a distribuição de secretarias estaduais, muitas conduzidas por pessoas que deixam as portas fechadas a integrantes de partidos diferentes dos seus não facilitam a permanência de ninguém da base. Esta queixa recorrente entre todos os aliados de Rui Costa não ajuda a manter o trem nos trilhos.

Otto refuta a saída ou intenção de saída. Afirmou à reportagem do Bocão News que quando o governo do qual faz parte mais precisa é o momento de maior doação. Portanto, neste momento, está afastada qualquer possibilidade de “bater em retirada”. “Não existe nenhum sentimento de minha parte de sair”.

Ainda que mantendo os pés no Palácio de Ondina, Otto não se furta a criticar a articulação política no entorno de Rui. Nada direcionado, segundo ele mesmo ao secretário Josias Gomes, a crítica é a mesma que fez ao governo Dilma Rousseff.

De acordo com ele, o governador está cercado exclusivamente ou majoritariamente por petistas e a aliança é heterogênea, portanto, carece de mais pessoas com pensamentos diferentes contribuindo para manter o projeto.

“O erro de Dilma Rousseff foi esse. Se cercou apenas de gente que pensa como PT. Um pensamento único. Um conselho ‘ideocrático’, composto por pessoas de uma ideologia só. Nem sempre o PT está certo”.

Por Luiz Fernando Lima | Fotos: Gilberto Júnior / Bocão News