Um maio de referência e luta contra o racismo

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Foram mais de 300 anos de Escravidão que marcaram toda a vida de nosso povo principalmente da população negra de matriz africana que vive até os dias atuais os efeitos perversos de um racismo institucional que explica parte da exclusão e do aumento vertiginoso da violência.

Essa violência que não se apresenta somente nos atos relacionados a arma de fogo ou outro tipo como faca ou similar, mas se materializa com a sistemática falta de política pública que não garante o direito a educação, a saúde, a moradia e ao desenvolvimento.

Desenvolvimento esse que é um conjunto de esforços realizados no passado como a constituição cidadã de 1988 que garante o funcionamento do SUS com a sua eficácia reconhecida agora nos dois últimos anos da pandemia do coronavirus.

O grande problema dessa questão é que todas essas mazelas estão sendo vividas pela população negra do Estado da Bahia e do Brasil com os maiores índices de patologias em torno do cotidiano dessas pessoas que pela violência do desemprego e das péssimas condições de vida aprofundam ainda mais a crise.

Os três séculos de cativeiro foram marcados por extremos castigos que feriam, ensanguentavam, alejavam e até matavam aqueles e aquelas que são hoje os trabalhadores e trabalhadoras que sustentam a economia do país com seus labores e rotinas de trabalho marcadas pela insegurança.

O advento da servidão ou da escravidão no mundo são aspectos relacionados a vários povos, os europeus, os asiáticos, os africanos, os indígenas, os latino-americanos e demais civilizações que dão sentido a vida no planeta.

Sendo que no Brasil os africanos e os indígenas fazem parte da base da pirâmide etária, econômica e social, enquanto que os colonizadores e seus descendentes representam o topo dessa pirâmide fazendo com que as desigualdades aumentem e os seus malefícios.

Essa conjuntura de sofrimento é produto dessas injustiças acumuladas até os dias atuais e encontram no mês de maio um conjunto de referências históricas que nos ajudam a refletir e a não esquecer que o ser humano está entre o limite da civilização e da barbárie.
Precisamos ver em que lado nós estamos da civilização ou da barbárie para que possamos encontrar um caminho que promova a saúde mental, a educação de qualidade, o reconhecimento do valor e a proteção de nossos desvalidos e excluídos.

Essas datas são 0 13, o 25, 28 e em especial a “os 190 anos da SPD” campanha de construção do filme com a história da Sociedade Protetora dos Desvalidos dirigido pelo cineasta Antonio Olavo em que precisamos doar quantias em dinheiro através da conta bancária.

A abolição, dra. Edialeda Salgado faria 82 anos, o dia da África é o sentido de existência da SPD que abriu o caminho para a criação de outras instituições negras como o Olodum, o Ilê Aiyê, o Malê de Balê, o Massamalu Alabê, o Vulcão da Liberdade, os filhos de Gandhy, o Muzenza, a Mangueira, a Portela e outras agremiações que valorizam a cultura negra precisa contar a nossa História.

Em 2022 que revela a existência de uma Necropolítica implantada nesse Estado e promove um genocídio de toda uma juventude que não tem o direito de sonhar e nem de viver constata que a Bahia precisa reconhecer a necessidade de uma superação desses problemas.

Essa superação só será possível priorizando a população que reside nos morros, na periferia, na favela e nos espaços desassistidos, na verdade, fazem parte de um projeto político de poder que prioriza a morte e a exclusão para esses cidadãos e cidadãs vitimas do racismo, do desemprego e da pobreza.

É a continuidade da Escravidão e da Servidão mesmo na República que distribui a morte, a miséria e a injustiça. Precisamos ser capazes de dar a opção para a nossa gente uma escolha que promova a paz, a tolerância, a inclusão e o amor.

A importância do mês de maio é essa que nos faz refletir, pensar e dar sentido as questões que secularmente foram negadas como acesso a história dos povos escravizados que através das Leis 10.639/03 e 11.645/08.

As outras razões que fazem desse mês com uma importância social e histórica é dar relevo a mulher negra que sofre até os dias atuais esses impactos perversos que no período atual do Neoliberalismo e Globalização perversa exige um esforço coletivo para construir um lugar melhor para se viver aos filhos, sobrinhos, netos, amigos e a quem mais chegar.

Sandro Correia