A Viradouro é a grande campeã do carnaval 2020 do Rio de Janeiro, após 23 anos de jejum. União da Ilha e Estácio de Sá foram rebaixadas.

O G1 acompanhou ao vivo a apuração das notas, que aconteceu na tarde desta quarta-feira (26), diretamente da Sapucaí.

O enredo “Viradouro de alma lavada” falou sobre o grupo das Ganhadeiras de Itaupã, quinta geração de mulheres que lavavam roupa na Lagoa do Abaeté e faziam outros serviços em Salvador em busca da compra de sua alforria.

Já a Mangueira, campeã de 2019, ficou na 6º colocação no carnaval deste ano.Veja o resultado final do carnaval 2020 do Rio — Foto: Arte/G1

Ranking de títulos no carnaval

Com a vitória neste ano, a Viradouro chegou ao seu 2º título no carnaval do Rio de Janeiro, empatando com Unidos da Capela. A Portela é a maior vencedora, com 22 títulos.

Destaques do desfile

O samba tinha influência de afoxé, ritmo baiano, nos batuques e na melodia.

Na comissão de frente, a atleta da seleção brasileira de nado sincronizado Anna Giulia, vestida de sereia, dava mergulhos de até um minuto em um aquário com 7 mil litros de água mineral, representando a Lagoa do Abaeté.

Teve até cocada para o público. Os doces foram distribuídos ao lado das baianas, que representaram as quituteiras. As saias eram bordadas com figuras de abará, tapioca e acarajé.

O desfile mostrou as atividades que as Ganhadeiras exerciam: lavar roupa, carregar e vender água, cozinhar e vender alimentos, costurar, vender bugigangas etc.

Essas mulheres foram exaltadas no desfile como as “primeiras feministas do Brasil”, pela força que tiveram para ir atrás da liberdade e pela importância para a cultura da Bahia.

Foi o primeiro desfile do casal carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcisio Zanon juntos na Viradouro.

A cantora Margareth Menezes desfilou como destaque do carro que lembrou as cirandas de roda à beira do mar aberto, uma contribuição das Ganhadeiras à música baiana.

A rainha de bateria, Raissa Machado, pelo sétimo ano na Viradouro, vestiu uma fantasia em homenagem à rainha dos Malês, Luiza Mahin, uma das lideranças da revolta pela libertação dos escravos em Salvador.

O grupo de encerramento se chamava “Lute como uma mulher!”, e levou mulheres negras ligadas à pauta feminista para a avenida.

Por G1 — Foto: Marcelo Brandt/G1