O perigo continua. Os números continuam subindo a ladeira: nos Estados Unidos são 466.270 pessoas infectadas com 16.690 mortes. No Brasil são 18.397 casos confirmados e 974 mortes pela Covid-19. A Bahia chegou a 604 infectados com a doença, com 19 mortes.

Ipirá tem o selo de Zona Livre do Coronavírus, não tem nenhum caso registrado. Queremos continuar desse jeito. A população tem que contribuir para que continue assim.
Ipirá tem que ter disciplina; tem que manter a prudência; não pode escorregar na arrogância e tem que se livrar da ignorância.
Sexta-feira da Paixão 2020, quem estava em Ipirá observou um acontecimento inusitado. Ninguém subiu ao Monte Alto, que é uma tradição centenária, e a Procissão do Senhor Morto percorreu as ruas vazias da cidade, com o menor número de fieis já visto, mas com uma fé redobrada e inquebrantável de que os tempos tenebrosos são passageiros.
São circunstâncias especiais na vida da humanidade. A cidade de Ipirá vive esse pesadelo tentando se ajustar. A população de Ipirá tem cometido alguns vacilos que podem ser prejudiciais, por exemplo, está praticando a desobediência civil de forma intensiva, no formato de manada.
O grande problema de Ipirá é a aglomeração de pessoas nas ruas da cidade. Colocaram Ipirá num beco sem saída. Se ficar o bicho pega se correr o bicho come.
À tarde, a cidade está encontrando o seu ponto ideal para esse momento diferente em que vive o mundo. Pouca movimentação de pessoas nas ruas e a calmaria mostrando que as coisas estão sob controle.
Pela manhã. O descontrole é total. O centro da cidade virou um formigueiro de gente. Tem fila em toda parte. É fila na porta de banco que chega a meter medo em quem tem juízo; não falta fila em porta de loja, como se fila não representasse perigo de contaminação; é fila de farmácia, não para comprar remédio, mas para pagar boleto. Fila é um ponto vulnerável para doenças viróticas.
Num descontrole completo, o centro de Ipirá tornou-se um perigo, porque mantém uma aglomeração de gente constante e permanente e não tem quem acabe. Na parte da manhã, Ipirá é uma panela de pressão; abriu mão por completo do isolamento social e aderiu ao vamos ver o que acontece e entregou seu destino à sorte.
É um problema complexo, porque fizeram com que o Poder Municipal perdesse completamente o foco do problema. O prefeito Marcelo Brandão começou bem, suspendendo as aulas, fechando o comércio local para o ramo supérfluo, foi correto. Poderia ter uma brecha para o departamento de cobrança das lojas, seria um ponto de escape. As soluções são gradativas.
O comércio, também, não suportaria uma quarentena longa, essa é uma verdade. O poder econômico fez pressão e o prefeito MB foi obrigado a ceder. Aquele movimento do ‘Abertura já’ foi improcedente e criou uma situação em que a população entendeu que o perigo deixou de existir e a situação estava aliviada.
O ‘vem prá rua, vem’ do comércio local, tirou o povo de prisão caseira, abriu as portas e encheu as ruas, justamente, a pior coisa que poderia acontecer neste momento de pico da contaminação no Brasil.
Hoje, a grande questão é: como esvaziar as ruas de Ipirá na parte da manhã? Porque do jeito que está, só uma morte de uma pessoa graúda, por contaminação, para o povo cair na real, desmanchar o que está posto e procurar o isolamento.
Como organizar a vida nessa cidade em tempo de pandemia? É tarefa muito pesada para cair nas costas de qualquer gestor municipal para resolver sozinho.
O ponto seguro no município de Ipirá é a zona rural. Se as pessoas ficassem em suas residências rurais estariam seguras. Faça suas compras no povoado.
Como evitar que a população da zona rural venha para a cidade? Como evitar que as pessoas se aglomerem no centro? São essas questões que o poder municipal tem que buscar uma solução agora e as pessoas vão ter que colaborar, longe de jogar a culpa nas costas do prefeito.
Um exemplo: se o transporte que vem da zona rural chegasse aqui por volta das dez horas (abertura dos bancos) poderia evitar fila das 8 às 10. Se os moradores da cidade fossem aos bancos pela tarde, poderia diminuir as filas nos bancos pela manhã.
O comércio aberto em um só turno aumentou o fluxo de pessoas nas ruas. Se o comércio abrisse nos dois turnos (9às12-14às17) e os moradores da cidade deixassem para ir às compras pela tarde, diminuiria o fluxo de pessoas nas ruas. Nada é fácil e as idéias podem parecer absurdas, mas é assim mesmo, são tempos difíceis e diferentes.
Faça suas compras no mercadinho de seu bairro, não venha para o centro da cidade.
Se a movimentação de pessoas enfraquecer no centro, isso terá uma grande importância. Quanto menos movimento você criar na cidade, de moto ou de carro, será melhor para a cidade. Vamos trabalhar e comprar na surdina, de forma rápida e caceteira, sem alarido e sem balbúrdia. É o tempo passageiro que exige isso.
Agora, um grande problemão: e a fábrica de calçados? As férias antecipadas vão finalizar no dia 22. É o principal empregador do município. É a mais importante empresa do setor produtivo do município. A fábrica vive um momento delicado de recuperação judicial e essa crise veio acontecer justamente nesse momento.
O que vai acontecer? Abre ou não abre? É complicado e angustiante. Num contexto tão agudo de crise como o atual, diante do risco de contaminação, de morte e colapso gerado pelo ataque do coronavírus, o fato é que o interesse coletivo exige isolamento como instrumento para proteger vidas.
Olha a conseqüência dos fatos: quando abriram o comércio, povoaram a cidade. Agora é a abertura da fábrica. Tem que garantir trabalho, produção, emprego e renda. Vai ter que abrir de qualquer jeito? É abre ou fecha? Vamos aguardar a decisão.
Nosso município é precário em saúde. O prefeito Marcelo Brandão está requalificando uma área do Hospital Municipal para qualquer eventualidade. Para que não aconteça nenhum caso em nosso município, a melhor solução é o isolamento social.
Se acontecer um caso de contaminação em Ipirá, chegaremos a uma situação vexatória e o nosso mundo vai virar de pernas para o ar. É isso que as pessoas têm que entender de qualquer jeito.
Em Ipirá, qualquer pessoa que for contaminada vai para o ‘Corredor da Morte’; o médico e as enfermeiras que cuidarem do paciente terão grande probabilidade, grande mesmo, de ficarem contaminados; a família do paciente não escapará da contaminação. Para que nada disso ocorra, o melhor caminho é o isolamento social.
Tirar o povo da rua. Evitar aglomeração. Manter o isolamento social. Comércio aberto e o povo dentro de casa é o melhor remédio para este momento.
O Poder Municipal tem a obrigação de ter um planejamento para a questão do abastecimento da população, discutir e monitorar isso com os comerciantes do ramo, desde já. Essa questão envolve a feira livre.
Tem que haver uma orientação para os ambulantes receberem o auxílio de 600 reais para ficarem em casa, quem sair perde a ajuda. Tem países que o Estado está pagando a folha salarial mensal de pequenas empresas, para não ter desemprego.
Vivemos um período difícil, contra um inimigo avassalador, que ninguém vê, mas a prudência manda ter muita calma neste momento. Não adianta querer buscar culpados, para atirar pedras. Somos todos responsáveis por buscar saídas.
Quem vai dizer que o fogo está brando e o incêndio está controlado, não é a abertura do comércio, mas o retorno às aulas, mas de um jeito ou de outro, estamos entrando numa nova realidade e o protocolo do mundo não será o mesmo que foi um dia.
Por Agildo Barreto