quarta-feira, julho 17, 2024

Ministro de Lula afirma que, em Brasília, ‘fazer o errado para muitos é o certo’

Alvo de cobranças e críticas da base governista, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta sexta-feira (2) que, em Brasília, fazer o errado para muitos é o certo.

Em um evento na Bahia, o ministro forte do presidente Lula (PT) disse também que a capital federal é uma ilha da fantasia, uma bolha ilusória.

“Brasília é difícil. É difícil porque lá fazer o certo para muitos está errado. E fazer o errado para muitos é que é o certo na cabeça deles”, discursou, durante inauguração em Itaberaba.

O ex-governador da Bahia disse ainda que a transferência da capital do Brasil para “longe da vida das pessoas”, na sua opinião, fez muito mal ao país.

Ao relatar uma reunião ocorrida na véspera, o ministro contou ter dito aos participantes que teria sido melhor manter a sede dos Poderes no Rio de Janeiro, ou levar para São Paulo, Minas Gerais ou mesmo de volta para a Bahia, para que as pessoas se deparassem com a fome, a miséria e o desemprego antes de entrar na Câmara e no Senado.

“Vocês podem ter certeza. Brasília não vai me mudar e eu vou lutar com todas as minhas forças para mudar Brasília e mudar aquele jeito de encarar o que é coisa pública. Eu chamo aquilo de Ilha da Fantasia”, disse.

O desabafo ocorre ao fim de uma semana em que os deputados ameaçaram derrubar toda a estrutura desenhada para o governo Lula, o que exigiu a autorização de emendas e nomeações, a cargo de sua pasta.

Ao lado de Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais), Rui Costa chegou a ser apontado, entre parlamentares, como um ministro demissionário. Colaboradores de Lula lançam, porém, dúvidas sobre sua exoneração.

Esses aliados lembram que o presidente é grato ao ministro, que deixou de concorrer ao Senado para se dedicar à eleição de seu sucessor e do próprio Lula.

Os votos conquistados na Bahia são listados como uma das causas da vitória de Lula sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro de 2022.

CATIA SEABRA E JOÃO PEDRO PITOMBO BRASÍLIA, DF, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS)

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